1ª Rodada campeonato 20/08/2017: Atalanta 0-1 Roma

No fim da temporada anterior, a Roma passou pelo dia mais difícil de sua história. Sim, dizer adeus ao maior ídolo é ainda mais doloroso do que cair para a Serie B, como em 1951, ou do que perder uma final de Copa dos Campeões, como em 1984. No dia 28 de maio de 2017, o que ficou não foi a vitória sobre o Genoa ou a classificação direta para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Essas foram as distrações momentâneas, os soros que injetam o mínimo de vida nas veias do romanismo pelo futuro próximo. Porque até lá, será necessário reinventar o que é ser romanista. O que ficou foi a identidade de quem ama o clube, sintetizada e personificada na figura de Francesco Totti, agora ex-jogador. Ficou para trás. A Roma continua, o amor por ela também, mas há algo diferente no ar. E todos precisaremos de algum tempo para nos acostumar.

Enquanto passamos pelo limbo emocional que é a primeira temporada sem Totti, o diretor esportivo Monchi foi ao trabalho. Além da saída do eterno capitão, jogadores importantes deixaram o clube e outros tantos chegaram. Szczesny retornou valorizado ao Arsenal e foi vendido à Juventus, como qualquer pessoa poderia prever. A Roma é a maior incubadora de jogadores que futuramente serão campeões com a Velha Senhora. Monchi também repassou três jovens promessas ao Sassuolo – outro clube cujo sucesso se deve parcialmente à Roma. Salah e Rüdiger foram jogar a Premier League, o Zenit buscou Leandro Paredes e o clube ainda conseguiu desovar alguns erros de Sabatini e Massara. Mário Rui, Doumbia, Vainqueur, Zukanović, Gyömber, Grenier, Vermaelen e, é claro, Iturbe, foram os principais.

Retornaram Leandro Castán e Lorenzo Pellegrini, velhos conhecidos, além de inúmeras contratações de médio escalão. Sim, como sempre, a Roma vendeu pesos pesados e contratou pesos pena. Essa é a forma que Monchi trabalha, entretanto, então não é nenhuma surpresa. Além disso, a prática de Sabatini e Massara de adiar os compromissos financeiros significou diversas obrigações para o clube, como os resgates de Bruno Peres e Juan Jesus, o que dificultou o mercado. Ainda assim, não foi satisfatório. Karsdorp, Ünder e Defrel chegam na Roma como apostas que buscam se provar. Moreno e Gonalons, um pouco mais experientes, nunca deslancharam de verdade. Kolarov é a grande chegada para uma posição carente, mas também já viveu momentos melhores. E com o badalado Schick, há preocupações médicas, apesar de um potencial gigantesco.

A incerteza ronda o clube, assim como a esperança. Sempre foi assim e seguirá sendo. De 1927 a 1992, a Roma viveu 65 anos a.T (antes de Totti) repetindo a própria história em uma espiral de sonhos e frustrações. De 1993 a 2017, mesmo durante a e.T (era de Totti), o roteiro seguiu o mesmo. Daqui para a frente, tudo muda. E, é claro, tudo segue exatamente igual. Bem-vindos ao primeiro ano d.T (depois de Totti).

@gioguerreiro

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