Comprometimento

Pois é, sabe quando se pede a alguém algo simples e este acredita sobretudo em si próprio que pode desenvolver e tirar de letra? Siga esta linha de raciocínio, aquela de Eusébio Di Francesco. A tarefa de ontem não era tão fácil assim, o compromisso de uma temporada inteira, aliás, não o era e obviamente não será, mas esse time resolveu acreditar que tem potencial, que pode ir além e que pra isso precisa confiar principalmente nos conselhos de um jovem corajoso de palavras serenas com pensamentos abrangentes. Vencedor pelo que declara, vitorioso pelo que exprime, mas principalmente campeão de humildade e isso se tem visto em quase toda sua trajetória de jogador até técnico da Roma. E se lá no começo da temporada os críticos enfatizavam descrentes de tudo isso, devido a uma falsa e confortável imagem criada em cima de razões coerentemente etiquetadas como muito se vê na mídia esportiva (o Mario Samuel já cantava essa bola lá no começo em sua tirinha), hoje, principalmente nesse momento, mordem a lingua e mastigam amarguradamente seu derrotismo pré anunciado. Vencer a Lazio não foi nada fácil, primeiro porque se trata de um clássico, pra mim - e desculpe mais uma vez aos críticos donos da razão - o mais legendário e emocionante do planeta. E segundo porque tem jogado de maneira convincente com algumas peças no elenco de peso consideráveis (não se está entre os líderes por mero acaso). Mas enfatizo que o mais importante em todo esse processo, ainda sim é o pacto do time romanista com o seu treinador de futebol. Não preciso ir além para ressaltar a transformação deste elenco que hoje vem praticando outra atitude em campo com fé coerente de que pode e deve fazer mais do que aquilo que previamente negavam confusamente. Exagero? Para quem gosta de números o time de Eusébio Di Francesco, com um jogo a menos está a dois pontos do líder do campeonato, perdeu apenas duas partidas até aqui (uma por pura sorte) e outra por um detalhe. Para os que não curtem matemática é líder de um dos piores grupos da Liga dos Campeões da Europa, com um pé praticamente na segunda fase. Isso não se conquista com presunção, papo furado, sorte ou qualquer outra estúpida desculpa esfarrapada de mídia engessada mas com muito trabalho e suor sagrado como aquele despejado em campo por Radja Nainggolan absurdamente crente em si próprio e automaticamente processado por todo elenco romanista como se tem visto. Querem ser campeões? “É preciso acreditar nessa mentalidade vencedora” como dizia Paulo Roberto Falcão e como faz acreditar serenamente Eusébio Di Francesco.

Síntese: La Repubblica

O derby é da Roma a Lazio se entrega: 2 a 1. Tentativas de agressões e coros racistas por parte dos torcedores laziales. Tudo no segundo tempo: Perotti abre o marcador da marca do pênalti, Nainggolan amplia e então Immobile diminui novamente em conversão de penalidade. Totti comemora com um tweet o seu derby como torcedor.

Por: Matteo Pinci

ROMA - A ultrapassagem. A roma mete a flecha e com uma hora jogando grande supera a Lazio no primeiro derby sem Totti, espectador na tribuna. Um pênalti de Perotti e um ciclópico Nainggolan decidem o duelo com vista para o título que leva os giallorossi a alcança a Inter na terceira colocação, pelo menos por uma noite. Para a Lazio não basta Immobile e duas intuições de Inzaghi: Di Francesco volta a ver as primeiras colocações.

PRIMEIRO TEMPO SEM SUSPIROS - A Lazio parte agressiva. Poucos instantes e Lulic na esquerda tem espaço, mas erra. Poderia fazer melhor Marusic de posição oposta, mas também buscar Immobile. Na segunda trave apoia Parolo que erra o chute de maneira banal. A Roma responde confiando nas duas cabeçadas de Dzeko, que primeiro sai fraca, e depois não enquadra o espelho. Vai melhor com os pés: e esquema é o mesmo que havia mandado a gol El Shaarawy contra o Bologna, o bósnio diferentemente do azzurro não consegue porém dar força ao arremate de direita na segunda trave que Strakosha contém. O passar dos minutos alimenta a Roma e apaga um pouco a Lazio.

UM-DOIS ROMANISTA - Os giallorossi devem esperar porém o segundo tempo. A desequilibrar depois de 3 minutos é o homem mais esperado: entre vaias dos seus ex-torcedores (laziales), Kolarov parte com a bola nos pés, contém as resistências, parte para o meio. Bastos nas suas costas tenta o tackle e translaça a corrida: para Rocchi é pênalti, sustentado pela confirmação dos videos assistentes e o fone de ouvido. Perotti especialista da marca do pênalti, faz explodir aos quatro minutos a festa romanista. Bastam outros quatro giros no relógio para o bis: mais uma vez Perotti faz escapar em contrapé Nainggolan, que recebe na meia cancha adversária, parte para área e dispara sobre as costas de Strakosha uma pedrada mortífera: 2 a 0 depois apenas de oito minutos de segundo tempo. Um resultado que materializa a superioridade em campo de uma Roma que chega primeiro na bola e sufoca as ambições laziales com um pressing feroz.

RAIVA LAZIO, MAS NÃO BASTA - Naquela altura Inzaghi entende que serve mudar alguma coisa. E sacrifica a experiencia para lançar dois velocistas puros: fora Leiva e Lulic, dentro Lukaku e Nani. Um choque que parece desfibrilizar a Lazio dormente. O belga frusta a faixa esquerda com escapadas que bambeiam um generosíssimo Florenzi. O português mete fantasia sobre a direita. E justo ele joga as cartas que reabre a partida: fulga na faixa, cruzamento acentuado e insidioso para o meio da area sobre o qual Manolas faz intervenção de maneira descomposta. A bola toca o braço, os laziales protestam Rocchi (consulta o VAR e) marca o pênalti. Immobile chuta forte, Alisson intui, mas a bola passa: aos 27 minutos do segundo tempo é 2 a 1, com o décimo nono gol da temporada para o centro avante de Inzaghi que a esta altura começa acreditar. A Roma se cobre, Gerson entra no lugar de El Shaarawy. Peres substitui Florenzi preocupadíssimo com uma dor no joelho (não o operado duas vezes no ligamento cruzado). E Juan Jesus no lugar de um extremado Nainggolan transformando o 4-3-3 em um 5-4-1. A Lazio tenta ainda com uma jogada de Parolo, fora. O resto tentativas desesperadas. Depois das três ilusões da temporada passada, o derby volta a dizer Roma.

@matteopinci

ROMA (433):Alisson, Florenzi(Bruno Peres 80'), Manolas, Fazio, Kolarov, Nainggolan(Juan Jesus 85'), De Rossi, Strootman, El Shaarawy, Dzeko, Perotti

LAZIO (3-5-1-1): Strakosha; Bastos, De Vrij, Radu (32' s.t. Patric); Marusic, Parolo, Leiva (13' s.t. Nani), Milinkovic, Lulic (13' s.t. Lukaku); Luis Alberto; Immobile A disp.: Guerrieri, Vargic, Basta, Luiz Felipe, Palombi, Neto, Mauricio, Jordao, Murgia. Téc.: S. Inzaghi.

Cartões: Lulic, Leiva, Luis Alberto, Nani, Nainggolan e Fazio

F I C H A
  • ROMA 2-1 LAZIO


    Árbitro: Gianlucca Rocchi (Florença)
    Acréscimos: 1’pt e 6’st
    Escanteios: 7 a 6 para a Lazio
    Público: 55.775


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