Campeonato 2ª Rodada 26/09/1948: Roma 4-2 Triestina

Um mês após a salvezza em uma temporada horrorosa, a Roma inicia 1948/49 com um baque imediato: a saída do ídolo Amedeo Amadei. A negociação se arrastava entre o jogador, o clube e a rival Internazionale desde o ano anterior, mas com Amadei sendo tão importante para uma equipe tão ruim, a eternamente esperançosa torcida romanista o via como uma das únicas chances de redenção. Impossível saber se com ele a Roma teria se reerguido antes de chegar ao fundo do poço, mas a Inter, que havia ficado na décima-segunda posição em 1947/48, lutou ponto a ponto pelo scudetto contra o Torino após a aquisição de Amadei.

Enquanto isso, a Roma se contentava com refugos da própria Inter e apostas vindas do Bari para tentar ter um ano tranquilo e sem sustos, como Maestrelli, Tontodonati e o ex-laziale Ferri, entre outros. O reforço de mais relevância, no etanto, chegou da Vignolese e fez bonita carreira na Roma e na seleção italiana. Foi o meia-esquerda Arcadio Venturi, na época um garoto de apenas 19 anos, mas que já prometia muito e entregou ainda mais nos quase dez anos vestindo a maglia giallorossa. Tornaria-se um pilar do clube, marcado principalmente pela lealdade no período mais difícil da história da Roma.

Dentro de campo, o clube teve uma temporada de coadjuvante. Com os cofres vazios e a venda do único craque do time, esperar mais que isso do técnico Luigi Brunella seria irreal. Tanto que ele se manteve firme no cargo em meio às instabilidades futebolísticas e institucionais da Roma. Ainda assim, é claro, o time seguiu o roteiro de sempre. No primeiro turno foram mais altos do que baixos, e o clube se permitiu sonhar com algo além da salvezza, impulsionado pelos gols de Tontodonati e Pesaola. A equipe enfiou 4 a 2 na Triestina, 4 a 0 sobre Bari e Livorno, 4 a 1 em cima do Novara e ainda conquistou uma vitória importante sobre a Inter de Amadei por 1 a 0. As piores derrotas foram para Torino (4 a 0), Sampdoria (4 a 2) e Fiorentina (3 a 1), equipes que brigavam na parte de cima da tabela. A última rodada, entretanto, reservou para a Roma o choque de realidade que deixou o time eletrocutado por todo o segundo turno: 5 a 1 para a Lucchese.

Daí em diante, a Roma encavalou sete partidas sem vencer e conquistou apenas quatro triunfos no segundo turno inteiro, sobre Modena (2 a 1), Palermo (3 a 2), Pro Patria (3 a 1) e a própria Lucchese (3 a 0). Dois destes ficaram entre os quatro últimos do campeonato. Como apenas duas equipes caíam, a Roma conseguiu se salvar com alguma folga, terminando na décima-quarta posição, mas com apenas três pontos a mais que o Modena, décimo-nono. Campanha irrelevante dentro de campo, enquanto o novamente campeão Torino continuava a brilhar dentro dele. Mas o final da temporada foi marcado justamente pelo que aconteceu fora de campo.

Ainda antes do campeonato acabar, em meio à turbulência que a Roma vivia, o presidente Pietro Baldassare deixa o cargo. Mas não sem polêmica. O clube havia gastado muito dinheiro no pós-guerra, como no fenômeno húngaro Zsengeller, sempre às ordens do presidente. Em Roma, o atacante, que havia feito quase 400 gols no Ujpest, não fez nem dez. Quatro rodadas antes da Serie A 1948/49 terminar, Zsengeller foi afastado do clube. A saída de Amadei, ainda amarga, também pesou, mas o principal foi que apenas entre 1947 e 1949 foram gastos quase 20 milhões de liras e a Roma só havia regredido. Para garantir a responsabilização do dirigente, foi montado um conselho para analisar sua demissão e definir os passos da reconstrução.

Do outro lado da tabela, o Torino lutava contra a Inter por mais um título. A equipe de Turim estava consolidada como o grande clube italiano do período, e chegou para o confronto direto contra os nerazzurri precisando apenas do empate para manter uma distância que lhe permitira ser campeão na semana seguinte. Faltavam quatro rodadas para o campeonato terminar e ambos os times estavam exaustos, jogando no limite o ano todo. Quem conquista o seu objetivo é o Torino, com o resultado de 0 a 0. O jogo seguinte dos granata é um amistoso em Portugal, contra o Benfica. Foi o último. No retorno, a aeronave se choca com o morro de Superga, em Turim, matando todos a bordo. Na reta final do campeonato, os clubes colocam equipes alternativas e o Torino é declarado campeão antes mesmo do fim – ainda assim, termina com cinco pontos a mais que a Inter. A tragédia fez com que o futebol italiano como um todo precisasse se reconstruir.

Para a temporada seguinte, a Roma inicia seu novo momento com a eleição do próximo presidente, Pier Carlo Restagno. Ainda havia muito a piorar antes que a situação do clube melhorasse. Naquele 1949, entretanto, nenhuma reconstrução foi mais necessária, trágica e inacabada do que a do Torino, que até hoje tenta ter a mesma relevância de até hoje tenta ter a mesma relevância de outrora. E mesmo se tivesse, não seria mais o mesmo.

@gioguerreiro

1947/48 1949/50


F I C H A
  • 1948/49


    Campeonato: 14ª Posição

    Vitórias: 12
    Empates: 8
    Derrotas: 18

    Tontodonati : 12 gols
    Pesaola : 8 gols
    Losi: 6 gols
    Andreoli, Venturi: 5 gols
    Maestreli: 4 gols
    Radu, Valle: 2 gols
    Cristini, Ferri, Zsengellér: 1 gol

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