Campeonato 2ª Rodada 21/09/1947: Roma 1-0 Livorno

Embora a reconstrução da Roma no pós-guerra já estivesse em curso, ainda havia muito buraco a ser cavado até chegar ao trampolim no fundo do poço. Em 1947/48, o presidente Pietro Baldassare aposta novamente em um treinador húngaro, buscando repetir o sucesso de Alfred Schaffer. O escolhido da vez foi Imre Senkey, ex-Fiorentina. A ideia do presidente e do treinador para o mercado era reconstruir a equipe, o que se traduziu nas mudanças – embora não no desempenho. Os campeões italianos Krieziu e Pantò deixam a equipe, assim como Salar, um dos pilares do time nas duas temporadas anteriores. Chega o trio argentino Pesaola, Valle e Peretti, além de Fusco e da revelação Dell'Innocenti. Tantas novas contratações buscavam, entre outras coisas, atender aos desejos táticos do novo técnico; afinal, o metódico Senkey trazia para Roma uma pequena revolução.

Até aquele momento, a equipe capitolina passara boa parte de sua história jogando com o padrão tático conhecido como “Metodo”, popularizado por Vittorio Pozzo, longevo treinador da seleção italiana. Era uma variação do 2-3-5, espécie de 2-3-2-3 – também chamado de “WW”. Entretanto, aquele estilo de jogo começava a ficar defasado, após Herbert Chapman, treinador do Arsenal na década anterior, aperfeiçoar o 3-2-2-3 (hoje simplesmente 3-4-3, na época conhecido como “Sistema” ou “WM”). E na Itália era o grande Torino que praticava o Sistema, sagrando-se o melhor time do país na década de 1940, até a tragédia de Superga. Outros clubes italianos começavam a aplicar o padrão e Imre Senkey foi o primeiro treinador a fazê-lo na Roma. Aviso: não deu muito certo.

Após três jogos, os giallorossi contabilizam duas derrotas e uma vitória. Amadei era o dono do time e mostrou isso no primeiro tempo da partida contra o poderoso Torino, na quarta rodada. Foi dele o gol que marcava, no intervalo, a vitória parcial da Roma em casa. Quando as equipes voltaram para o segundo tempo, entretanto, a Roma desmoronou e o que se seguiu foi um dos maiores vexames da história do clube. A partida terminou 7 a 1 para o Torino, e no duelo de duas equipes que haviam largado o Metodo pelo Sistema, os granata mostraram que a Roma estava muito, muito longe de se acertar.

Após a goleada, a ressaca foi grande. Na partida seguinte, o time empatou de forma burocrática fora de casa com o Bologna, e depois tinha duas semanas até receber a Atalanta – o campeonato tinha 21 equipes, portanto a cada rodada um clube não jogava. Durante o repouso do elenco, Senkey e o presidente Baldassare viajaram até a Hungria para convencer o veterano Zsengeller, atacante finalista da Copa de 1938, a jogar na Roma. Quatorze milhões de liras depois, Amadei e Pesaola tinham seu parceiro de ataque, e as finanças do clube capitolino estavam em frangalhos; como se já não estivessem antes.

O novo atacante assume a camisa 10 e já faz a diferença logo de cara, com gols e assistências para o artilheiro Amadei. Nos sete jogos seguintes, a Roma perde apenas um, para o Milan (4 a 1). O time amassa a Atalanta (4 a 1), bate a Lazio no dérbi (1 a 0) e vence Sampdoria (2 a 0) e Napoli (2 a 1). Até o fim do primeiro turno, a equipe ainda sofre com altos e baixos, chegando a apanhar da futura rebaixada Alessandria (4 a 0), mas parecia se estabilizar dentro do Sistema, à medida do possível. O técnico começava a elogiar o desempenho do time, em uma proposta que exigia organização e planejamento, rechaçando totalmente o improviso. Entretanto, uma sequência de nove partidas sem vencer abre o segundo turno da Roma, e Senkey é demitido no meio do caminho. A estabilização da Roma foi outra: o time agora lutava pela salvezza, assim como na temporada anterior.

O substituto estava em casa, já que o clube passou a contar com Luigi Brunella no cargo de jogador-treinador – embora pouco jogasse. O time retorna ao padrão tático antigo, o Metodo, e arranca vitórias apenas contra os rebaixados Vicenza (2 a 0), Napoli (1 a 0) e Alessandria (4 a 1), além do Genoa (3 a 0). A campanha é medonha, mas Amadei, Zsengeller, Pesaola e Ferrari basicamente carregam a Roma viva até a penúltima rodada, que colocava os giallorossi frente a frente com a Salernitana, rival na luta contra a última vaga na Serie B. O jogo era na capital, no Stadio Nazionale, e chegou ao intervalo sem gols, com a Roma muito perto da queda. E a salvação veio exatamente do improviso, não do planejamento. No segundo tempo, o próprio jogador-treinador Brunella arriscou um chute de muito longe, surpreendendo o goleiro adversário e assegurando a vitória por 1 a 0. A Roma estava salva da Serie B, mas não por muito tempo. O fundo do poço haveria de chegar.

@gioguerreiro

1946/47 1948/49


F I C H A
  • 1947/48


    Campeonato: 17ª Posição

    Vitórias: 13
    Empates: 9
    Derrotas: 18

    Amadei: 19 gols
    Pesaola : 11 gols
    Ferrari: 6 gols
    Zsengellér: 5 gols
    Di Paola, O. Losi: 3 gols
    Andreoli, Brunella, Dell'Innocenti, Jacobini, Perretti, Valle: 1 gol

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