Campeonato 3ª Rodada 6/10/1946: Roma 3-0 Lazio

O período é oficialmente de vacas magras. Após ter ficado claro no ano anterior que, após a parada pela Guerra, a Roma e os times do centro-sul teriam dificuldade para competir com os gigantes do norte, 1946/47 escancarou também o quanto a Roma havia regredido como organização durante o período. Já havia sido um milagre se manter viva e relevante regionalmente, agora que a hora de competir nacionalmente retornara, o clube passava o momento de maior dificuldade de sua curta história. Pensando nisso, o presidente Baldassara vai atrás de reforços, mas as condições de contratações são as piores possíveis. De importantes, chegam o argentino Di Paola e o atacante Ferrari. A história mais interessante da intertemporada é a chegada de três prisioneiros de guerra que haviam se destacado jogando de forma amadora: Bordonali, Ciucci e Gnemmi. Nenhum deles funciona na equipe.

Não era coincidência as dificuldades da Roma para contratar. O renascimento financeiro do norte da Itália foi muito mais forte e rápido nos primeiros anos após a Guerra do que o do centro-sul. No retorno ao campeonato de pontos corridos, eram 14 equipes do norte e apenas seis do centro-sul. Ainda assim, a Roma inicia o campeonato com quatro vitórias em cinco partidas, incluindo um 3 a 0 no dérbi, dando uma noção de que poderia brigar por algo – estava a apenas um ponto da liderança. Não foi o que aconteceu. Em seguinda, o time passou seis jogos sem vencer, tomou um 5 a 1 da Juventus e ficou claro que até mesmo para ficar na metade de cima da tabela a equipe teria problemas.

Passando por muitos altos e baixos, a Roma chega ao fim da primeira metade do campeonato na sétima posição, com o pior ainda por vir no returno. Contando as últimas três partidas do turno, o time chega a uma sequência ridícula de 17 jogos com apenas duas vitórias, contra Triestina (4 a 1) e Inter (2 a 1). Nessa caminho, a Roma apanhou por 4 a 0 três vezes, cortesia de Sampdoria, Torino e Juventus. No primeiro turno, Ferrari havia sido uma boa adição ao ataque, Krieziu continuava rendendo e Amadei era o goleador de sempre, mas no segundo turno a sorte mudou. Agora, oficialmente, a Roma lutava contra o rebaixamento.

Com a corda no pescoço, o time acordou. Faltando seis rodadas, os giallorossi encaram a Fiorentina em luta direta pela salvezza. Os donos da casa venciam por 3 a 1 até que, mais na garra e na improvisação do que na qualidade e na organização, a Roma arranca dois gols com Omero Losi e Amadei, empatando a partida e seguindo dona do seu destino. Depois, vitória sobre o forte Bari (2 a 0), empate contra o Bologna (1 a 1), e inacreditável 3 a 0 em cima do Napoli, fora de casa. A Roma estava salva.

A campanha se encerrou após empate sem gols contra o Vicenza e derrota para a Alessandria (2 a 0), mas o infeliz objetivo já havia sido atingido. A partir dali, ficava claro que a Roma no pós-Guerra mudara de patamar. O momento era de aprender com os erros e com as infelicidades para se reconstruir e voltar a crescer. Seria um processo lento, complicado e doloroso para os torcedores romanistas, já que a reconstrução ainda se arrastaria por um bom tempo.

@gioguerreiro

1945/46 1947/48


F I C H A
  • 1946/47


    Campeonato: 15ª Posição

    Vitórias: 12
    Empates: 9
    Derrotas: 17

    Amadei: 13 gols
    Ferrari: 7 gols
    Krieziu, Losi: 6 gols
    Cozzolini: 2 gols
    Andreoli, Di Paola, Renica: 2 gols
    Salar, Schiavetti: 1 gol

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