Campeonato Romano Da esq.: Andreoli, Lombardi, Francalancia, Pastori, Matteini, Schiavetti e Piccinini; Agachados: Amadei, Dagianti, Conzzolini e Krieziu.

Embora o presidente ainda fosse, no papel, Edgardo Bazzini, na prática a Roma era gerida de forma colaborativa desde o segundo semestre de 1943. Com a II Guerra Mundial chegando a seu vórtice, Bazzini, como muitos outros, debandou do dia-a-dia ativo do clube. A organização romanista em 1944/45 não foi diferente. Durante a temporada, a Roma elegeu Pietro Baldassare como seu novo presidente (em um cargo simbolicamente nomeado “Comissário Extraordinário”, refletindo o caráter excepcional da situação). Teoricamente, a gestão Baldassare só foi iniciado realmente no ano seguinte, já que ele assumiu o clube com a temporada em andamento, mas na prática ele era um dos padrinhos que havia permitido à Roma continuar em atividade durante os piores momentos da Guerra.

Tanta dificuldade para o clube simplesmente existir acabava refletindo em campo, ainda que não nos resultados – afinal, os clubes que a Roma enfrentava eram muito menores e indiscutivelmente piores, por mais complicada que fosse a situação giallorossa. Mas as dificuldades eram vistas inclusive no cargo de treinador. Desde o ano anterior, o comando técnico era de Guido Masetti, mas eventualmente, se necessário, ele se “desaposentava” e assumia a meta giallorossa. Além disso, em um período de Guerra, era difícil contar com todos o tempo inteiro. Eventualmente, jogadores ficavam fora de partidas por motivos muito mais sérios do que lesões musculares ou suspensões. E o mesmo se aplicava para treinadores.

Assim, quando Masetti não estava disponível, assumia o eterno diretor esportivo Vincenzo Biancone – que vivia o cotidiano romanista desde a fundação, com maior ou menor intensidade e com cargos diferentes, e basicamente assumiu a responsabilidade pelo funcionamento do clube durante a Guerra. Na reta final da temporada, o ex-jogador giallorosso Giovanni Degni recebeu oportunidades de comandar a equipe também, mas Masetti ainda era o treinador principal. Degni assumiria o time quando a Serie A retornasse, no ano seguinte.

Aliás, após a polêmica da mudança de formato na temporada anterior, em 1944/45 houve uma divisão. Nos últimos meses de 1944 disputou-se a Coppa Città di Roma, com oito participantes divididos em dois grupos de quatro. Os dois primeiros se classificavam para as semifinais. Invicta em seu grupo, a Roma estraçalhou principalmente MATER (7 a 1, 4 a 0) e Juventus Roma (5 a 1) antes de encarar o Trastevere nas semifinais . Mais uma goleada, 6 a 1, despachando-os para disputar a terceira posição contra a Lazio. Na final, contra a MATER, 4 a 1 e os giallorossi já iniciam a temporada conquistando um título. Amadei, Krieziu, Dagianti e Lombardi, em especial, se destacaram.

Em janeiro, iniciou-se o segundo campeonato regional da época da Guerra, dessa vez denominado Campeonato Laziale (mas ainda chamado informalmente de Campeonato Romano). E foi mais um baile romanista, em especial após a derrota no dérbi do primeiro turno. Dali em diante, a Roma desandou a vencer e ficou invicta até o fim da competição, dando o troco na Lazio (1 a 0) na penúltima rodada e se sagrando campeã com quatro pontos de distância para os biancocelesti.

Como se não fosse o bastante, ainda foi novamente realizado o Torneo a Quattro, dessa vez sabidamente considerado uma competição diferente, ao contrário da temporada anterior. E mais uma vez a taça ficou com a Roma, que bateu o Pro Livorno nas semifinais e a Lazio na finalíssima, por 1 a 0, gol de Amadei, na primeira final de campeonato da história disputada entre as duas principais equipes da capital italiana. Nunca antes um dérbi havia colocado Roma e Lazio em disputa direta por um título, e os giallorossi saíram vitoriosos.

Esportivamente, o período sem campeonato fez bem para o ego romanista, já que a Roma teve diversas chances para provar (e provou) ser a dona da cidade e da região. Entretanto, as ambições sempre foram muito maiores e, para o clube como organização e para a sociedade romana como um todo, as consequências do nazifascismo e da Guerra foram tristes e profundas. Dali em frente, era hora de cicatrizar as feridas.

@gioguerreiro

1943/44 1945/46


F I C H A
  • 1944/45


    Campeonato Romano: Campeã

    Vitórias: 10
    Empates: 2
    Derrotas: 2

    Amadei: 16 gols
    Urilli: 7 gols
    Krieziu: 4 gols
    Lombardi: 3 gols
    Cozzolini, Dagianti,
    Schiavetti: 2 gols
    Forlivesi : 1 gol

    Copa Cidade de Roma: Campeã

    Vitórias: 4
    Empates: 2
    Derrotas: 1

    Abadei, Krieziu: 7 gols
    Lombardi: 6 gols
    Cozzolini: 5 gols
    Dagianti: 3 gols
    Urilli : 2 gols

    Quadrangular Romano: Campeã

    Vitórias: 2
    Derrotas: 0

    Amadei: 3 gols
    Krieziu, Cozzolini: 1 gol

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