17ª Rodada: Roma 3-1 Juventus, 28/01/1940

A última temporada completa no Campo Testaccio, 1939/40 não poderia ser lembrada por outra coisa além do início do adeus ao estádio histórico da Roma. E não é o único adeus. O time de trintões da temporada anterior começa a ser desfeito, tendo cumprido o seu papel. Os ídolos Ferraris e Bernardini deixam a equipe, assim como Monzeglio, que fica como parte da direção. Muitos dos titulares e reservas que já faziam parte do dia-a-dia do clube consolidam-se, dentro do sistema disciplinador e exigente do técnico Guido Ara, para se tornarem a base do primeiro scudetto romanista – ao lado dos veteranos e reforços.

Brunella e Spitale, recém-chegados, fariam a diferença na temporada, mas o principal reforço foi Pantò, veloz, técnico e versátil. Borsetti e Michelini também foram embora, mas o ponto forte da nova Roma era a profundidade de elenco. O padrão de jogo encontrado por Guido Ara nunca conseguiu levar o time perto da perfeição, mas fez com que substitutos rendessem tanto ou mais que os substituídos. Com a inconstância de Provvidente, Alghisi, Coscia, Amadei e até Subinaghi foram importantes na campanha. Também chegou o velocista Krieziu, albanês – a Albânia havia sido recentemente anexada pela Itália durante a guerra.

Os passos corretos em direção ao futuro, que seria imediatamente vitorioso, ficaram óbvios quando primeiro título nacional veio, dois anos depois. Entretanto, a impaciência também atacou o presidente Igino Betti na temporada 1939/40. Tudo porque a Roma fez um campeonato, digamos, irrelevante. Duas vitórias simples ante o Napoli, um 3 a 1 sobre o Milan, uma goleada em cima do Bari (4 a 2), outra sofrida contra o Torino (4 a 0) e tudo igual na stracittadina, com um triunfo por 1 a 0 para cada lado. Tirando isso, nada de muito específico aconteceu. Pelo menos não até abril de 1940, quando Betti tomou uma decisão ríspida.

Após destruir o Pontedera pela Coppa Italia (6 a 1), com três de Amadei e três de Pantò, a Roma chegou para as oitavas-de-final da competição já com três anos de tabu sobre a Juventus – no campeonato, empate por 1 a 1 em Turim e vitória por 3 a 1 na capital. Os bianconeri, entretanto, levaram a melhor com sobras, batendo a Roma por 3 a 1 com facilidade e passando para as quartas-de-final. Antes da virada do mês, o técnico Guido Ara já havia sido demitido, e o húngaro Alfred Schaffer contratado.

Sendo justo, o trabalho de Ara foi sólido em termos de preparação, mas realmente a Roma chegou muito cedo a um teto de desempenho sob o italiano. A fundação estava posta, e Schaffer era o treinador para terminar a construção do primeiro scudetto. Ele teria tempo a partir de 1940/41, pois a temporada em que chegou, em termos de conquistas e disputas, já estava perdida e na reta final. O time encerrou a participação no campeonato com vitória sobre o Novara (3 a 1) e ficou na medíocre sétima posição. O foco romanista era no futuro, embora na época sequer havia a certeza de que um futuro existiria. Oito dias após o fim do campeonato, o ditador fascista Benito Mussolini decretou oficialmente a participação italiana na II Guerra Mundial – embora ele já comandasse o país e o exército em regime de exceção desde muito antes.

@gioguerreiro

1938/39 1940/41


F I C H A
  • 1939/40


    Campeonato: 7ª Posição

    Vitórias: 11
    Empates: 7
    Derrotas: 12

    Pantò: 10 gols
    Alghisi: 5 gols
    Coscia, Providente : 4 gols
    Amadei, Campilongo : 2 gols
    Subinaghi : 1 gol

    Copa Itália: Oitavas de Final

    Vitórias: 1
    Derrotas: 1

    Pantò,Amadei: 3 gols
    Donati: 1 gol

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