12ª Rodada Milan 1-0 Roma, 20/12/1936

A Copa Mitropa ainda entraria em declínio, por conta da guerra, mas naquela época continuava a ser a grande competição europeia. Em seus primeiros anos, era uma disputa de apenas oito clubes, evoluíra para dezesseis e, com a adição dos suíços, em 1936 contava com vinte clubes. Pela primeira vez a Itália reservava uma vaga também para a equipe campeã da Coppa Italia, que tinha sido ressuscitada na temporada anterior. Como vice-campeã nacional, a Roma disputou o mais antigo torneio continental europeu pela terceira vez. Sempre realizada no verão, a Copa Mitropa permitiu à Roma novamente uma estreia de peso: Pietro Serantoni, mais um jogador de seleção italiana recém-contratado.

Entretanto, em Viena, o time da capital italiana não poderia contar com o goleiro Masetti, machucado – o que foi comum durante uma temporada, infelizmente, cheia de lesões para o ídolo. O Rapid venceu por 3 a 1. Na volta, em uma noite mágica no Campo Testaccio, Serantoni marca três e a Roma dá o troco: 5 a 1 e a classificação para as quartas-de-final. A disputa pela vaga entre os quatro melhores seria contra o Sparta Praga, um dos mais poderosos clubes europeus do período. Na Tchecoslováquia, a Roma perde novamente, por 3 a 0. Em casa, a remontada parecia provável quando Di Benedetti marcou com apenas um minuto. Mas logo depois o Sparta empata e os ânimos romanistas murcham. O jogo terminou mesmo em 1 a 1 e a Roma foi eliminada. Mas foi um início honrado para a temporada 1936/37.

O mercado romanista foi discreto. Além da chegada de Serantoni, vieram Mazzoni e Prendato, mas em geral o presidente Igino Betti apenas manteve a equipe que milagrosamente lutou pelo scudetto no ano anterior. O time começa derrapando, com duas vitórias nas primeiras cinco rodadas. Mas o sexto jogo foi o dérbi, vencido por 3 a 1 com uma doppietta de Di Benedetti, que parecia a caminho de se confirmar como novo goleador. Entretanto, em jogo pela seleção, o atacante retorna machucado e fica fora de praticamente metade da competição. O time de Barbesino, que já não tinha um ataque prolífico desde a saída de Guaita e com uma defesa envelhecida, sofre para ser consistente. Nos treze jogos seguintes, foram quatro vitórias, quatro empates e cinco derrotas. A Roma chegou a vencer o Napoli (1 a 0), mas dois dos tropeços foram humilhações categóricas ante a Juventus e ao Novara, ambas por 5 a 1. E assim, em fevereiro de 1937, o objetivo passava a ser a salvezza.

Ela foi alcançada, é claro, com tranquilidade. Até porque a reviravolta da Roma se iniciou ainda em janeiro, em outra competição. Se no campeonato a equipe vivia altos e baixos, na Coppa Italia a história era diferente. D’Alberto e Serantoni garantiram a classificação romanista sobre a Triestina na fase dezesseis-avos-de-final – o suficiente para manter a equipe vive até a volta de Di Benedetti, já que a próxima fase seria disputada apenas em maio.

Enquanto isso, a Roma vence também o segundo dérbi pela Serie A, por 1 a 0. Os rivais capitolinos, aliás, brigavam pelo título e pela primeira vez na história obtiveram uma posição final acima da Roma. Foram vice-campeões, meros três pontos atrás do Bologna. Os dois dérbis perdidos, na ida e na volta, os custaram quatro.

Após vencer mais uma stracittadina, entretanto, a Roma voltou a perder duas em sequência antes de destroçar a Juventus em Testaccio por 3 a 1. Com o triunfo, a equipe capitolina colocava uma diferença de sete pontos para a zona do rebaixamento. E a partir dali, o campeonato seguiu sem muitas consequências para os giallorossi. O mau momento continuou e o time só voltaria a vencer na última rodada, contra o Novara, mas o que ocorreu de mais importante não teve nada a ver com resultado.

Em partida de certa forma irrelevante, contra a Fiorentina, Luigi Barbesino colocou em campo um rapaz de apenas quinze anos. Com o declínio técnico de Cattaneo e quase todo o esquema ofensivo romanista, estreou o mais jovem jogador da história da Serie A e um dos maiores ídolos da história da Roma: Amedeo Amadei. A partida terminou em 2 a 2, e na semana seguinte o garoto jogou de novo e já marcou seu primeiro gol. Pena que foi em derrota acachapante para o Lucchese por 5 a 1.

Entre as duas partidas, o time capitolino ainda passou com folgas pelas oitavas-de-final da Coppa Italia, enfiando 3 a 1 no Torino com tripletta de Di Benedetti, recém-recuperado de lesão. Depois, os giallorossi voltaram para encerrar a campanha nacional na décima posição, com vitória sobre o Novara (1 a 0).

A Coppa Italia ainda seguia, e a Roma sonhava com o título. Nas quartas-de-final, uma partida dificílima contra o Napoli. Mas Di Benedetti estava lá novamente. A vitória por 1 a 0 bastou para colocar o time nas semifinais e manter a chama viva. A adversária seria a Ambrosiana-Inter, e a Roma novamente não poderia contar com Guido Masetti, como tantas vezes ocorrera durante a temporada, por lesão. Mesmo assim a defesa se garante com Valinasso no gol, Mazzoni e Di Benedetti marcam os gols que dão a vitória por 2 a 0 colocando a Roma na final da competição.

O ato final da temporada seria já em junho, em campo neutro, em Florença, contra o Genova – na época, por ordem do regime fascista, o Genoa precisara mudar de nome, assim como a Internazionale. Ainda sem Masetti, a defesa da Roma aguenta o forte ataque genovês praticamente o jogo inteiro, mas no esquema ofensivo e o cenário não era favorável. O time não marcou e a igualdade sem gols se manteve até faltarem pouco mais de dez minutos para o fim da partida, quando o Genova fez o seu, vencendo por 1 a 0 e levando o título.

No fim das contas, foi uma temporada frustrante. A décima posição na Serie A é muito aquém do tamanho da Roma e a derrota em uma final de Coppa sempre deixa o gosto amargo, mas foi em 1936/37 que as cores giallorossi começaram a escrever sua história de grandeza na Coppa Italia. Foi a primeira final e a primeira grande campanha da Roma, que iniciou a tradição vitoriosa na competição de um clube que, no futuro, se tornaria o maior finalista da história do torneio.

@gioguerreiro

1935/36 1937/38


F I C H A
  • 1936/37


    Campeonato: 10ª Posição

    Vitórias: 10
    Empates: 7
    Derrotas: 13

    D'Alberto: 7 gols
    Di Benedetti, Subinaghi: 6 gols
    Bernardini, Mazzoni, Serantoni: 3 gols
    Gadaldi, Prendato: 2 gols
    L. Allemandi, Amadei, Tomasi: 1 gol

    Copa da Europa Central: Quartas de Final

    Vitórias: 1
    Empates: 1
    Derrotas: 2

    Serantoni, Di Benedetti: 2 gols
    D'Alberto, Subinaghi: 1 gol

    Copa Itália: Final

    Vitórias: 4
    Derrotas: 1

    Di Benedetti: 5 gols
    D'Alberto,Serantoni,: 1 gol

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