30ª Rodada Pro Vercelli 1-4 Roma, 2/06/1935

O campeonato de 1933/34 foi o primeiro em que mais de duas equipes italianas se classificavam para a Copa Mitropa. Quatro, para ser exato. A Roma ficou na quinta posição, a dois pontos do Bologna, e não conseguiu retornar à competição. Entretanto, a partir de 1934/35, segundo ano após a mudança, os clubes já entendiam que, no pelotão de cima, havia dois escalões – e quem falhava no objetivo de lutar pelo título também tinha a competição europeia para almejar. Foi o que a Roma fez em 1934/35. Mas não sem percalços pelo caminho.

A temporada começou sem Attilio Ferraris. E nada foi mais clamoroso naquele ano do que a passagem do então ídolo romanista para o lado biancoceleste do futebol na capital. Além dele, entretanto, outro importante símbolo giallorosso deixaria o clube: Arturo Chini. Assim, a Roma perde os dois últimos remanescentes do seu primeiro elenco, montado em 1927. E não parou por aí. Insatisfeitos com a diretoria e com a comissão técnica, Bodini e Bernardini se recusam a voltar para o time a tempo para a primeira rodada, se apresentando apenas com o campeonato em andamento e após receberem garantias – para Bodini, de que seria vendido ao fim da temporada, e para Bernardini, de que seria titular, já que naquele cenário ele disputava posição com Stagnaro.

Também foram embora Banchero, Callegari, Dugoni, Liberati, Pasolini... Foi o segundo ano seguido de debandada, mas nenhum grande nome chega. Para piorar, o próprio Stagnaro, com problema crônico no joelho, fica fora da temporada. Cheio de problemas para montar a equipe ao seu agrado, o treinador Luigi Barbesino passa a usar Tonino Fusco como “coringa”, escalando o meio-campista em diversas áreas do campo, do lado esquerdo da zaga até o ataque. Funcionou, e o romano foi um dos destaques da temporada – que começou com altos e baixos, como a torcida romanista já deveria até estar acostumada, mesmo na época. Foi apenas após a derrota para a Fiorentina na estreia, por 4 a 1, que Bernardini voltou ao time. Bodini não retornaria até novembro.

Pode não ter sido um ano de glória, mas as dificuldades ofensivas haviam definitivamente ficado em 1933/34. Após já ter se destacado na temporada anterior, Enrique Guaita teve um ano mágico. Nos primeiros oito jogos da Roma, ele já havia marcado doze gols, e terminaria com incríveis 28 em 29 jogos, o primeiro romanista capocannoniere no campeonato. Na tripletta que deu à Roma a vitória contra o Torino, por 3 a 2, Guaita ficou conhecido como Corsaro Nero, ou Corsário Negro, em português, devido à camisa preta usada pela equipe naquele ano. Ele foi também essencial em diversas goleadas durante o primeiro turno, contra Brescia (4 a 0), Livorno (5 a 1) e Alessandria (6 a 1).

Na sexta rodada Guaita também fez, de pênalti, o único gol da Roma no dérbi que terminou empatado em 1 a 1. Mas o mais importante naquele dia não foi o resultado: foi a presença de Attilio Ferraris, de volta ao Campo Testaccio. No contrato de venda do ex-romanista, estava explícito que ele não poderia disputar a stracittadina, sob pena de uma multa de 25 mil liras. A Lazio não se importou com o dinheiro e colocou seu novo jogador em campo. O empate, dizem até hoje, era favas contadas: Fulvio Bernardini, o próprio Ferraris e mais três jogadores teriam se encontrado, no dia anterior, para combinar o resultado da partida.

A torcida podia estar enraivecida com o ex-ídolo, mas vivia um momento de otimismo com o time. Após onze rodadas, a Roma era segunda, atrás apenas de uma surpreendente Fiorentina. O próximo jogo: em casa, contra a terceira colocada Juventus. E é aí que começa a mudança de objetivos. Derrotas consecutivas para os bianconeri de Turim e para o Palermo, além de um estrepitoso empate por 4 a 4 com o Milan, colocam os pés giallorossi no chão. Em uma sequência de quatorze jogos, são apenas três vitórias – com seis derrotas e cinco empates. A luta, oficialmente, é pelo quarto posto.

E contra quem haveria de ser, senão a Lazio de Ferraris? A três rodadas do final, as duas equipes capitolinas estão empatadas em pontos na disputa por uma vaga na Copa Mitropa. Mas é a Roma que encaçapa três vitórias consecutivas, contra Palermo (5 a 1), Milan (1 a 0) e Pro Vercelli (4 a 1) para assegurar a quarta posição, retornar à disputa de uma taça continental e mostrar para os rivais quem manda na capital italiana.

@gioguerreiro

1933/34 1935/36


F I C H A
  • 1934/35


    Campeonato: 4ª Posição

    Vitórias: 14

    Empates: 7

    Derrotas: 9


    Guaita: 28 gols

    Scopelli: 11 gols

    Scaramelli: 7 gols

    Costantino, Tomasi: 4 gols

    Bernardini, Frisoni: 3 gols

    Fusco: 2 gols

    Bodini: 1 gol



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