8ª Rodada Roma 5-0 Lazio, 23/10/1932

O desmanche de 1933/34 foi profundo. Para começar, direto da Argentina, chegaram os oriundi Guaita, Scopelli e Stagnaro. Lombardo, que fora o responsável pelas contratações, é o primeiro a deixar o clube, rumo ao Pisa. Com as novas contratações iniciais, principalmente do centroavante Guaita, o presidente Sacerdoti toma a decisão mais radical da intertemporada: o adeus a Volk. Com o ataque renovado – o que incluiu a chegada de Ernesto Tomasi – e o faro de gol apurado de Costantino, artilheiro na temporada anterior, a Roma se despede de um dos seus grandes ídolos do período. O destino? O mesmo Pisa, para onde também foram Fasanelli e D’Aquino. E essas foram apenas as principais saídas e chegadas.

Mas a reformulação não poderia ficar apenas nos jogadores. Para o cargo de treinador, a Roma contrata Luigi Barbesino, um italiano após anos de comando estrangeiro. O maior desafio, claro, era fazer o time engrenar com tantos novos jogadores – em especial o trio argentino. Não foi fácil. No primeiro turno, o time venceu apenas sete dos 17 jogos – perdendo outros sete, incluindo, é claro, derrotas para todos os rivais do norte e o então poderoso Bologna. O Brescia, na estreia, e os rebaixados Genoa e Padova foram os responsáveis pelos outros tropeços.

Não foi só de decepções que viveu a temporada romanista, entretanto. Ainda no primeiro turno, foram aplicadas inesquecíveis goleadas sobre Torino (4 a 0), Alessandria (5 a 1) e, principalmente, Lazio (5 a 0). Com destaque para Tomasi, que marcou em todos os três jogos. No segundo turno, a stracittadina terminaria empatada em 3 a 3, mas a campanha da Roma evoluiu. Após chegar a ficar apenas dois pontos acima da zona de rebaixamento durante a primeira metade do campeonato, o time de Barbesino perdeu apenas três jogos nas jornadas de volta. Entre os destaques, um 3 a 0 sobre o Genoa – com tripletta de Guaita – e um rocambolesco 6 a 3 sobre o Torino – com poker de Guaita. No fim das contas, a Roma ascendeu pela tabela até a quinta posição.

Só que a melhora da equipe não foi a única consequência daquele empate no dérbi. Após aquela partida o relacionamento entre Attilio Ferraris e o presidente Renato Sacerdoti, já na corda bamba desde 1931/32, se rompeu definitivamente. O então ídolo romanista foi escorraçado do clube para, naquele mesmo ano, sagrar-se campeão mundial pela seleção italiana e atravessar o rio Tibre para defender a Lazio. Não foi a única derrota moral do clube. Enquanto a Copa do Mundo ocorre, a Roma faz uma turnê-propaganda como fantoche do fascismo italiano e usa, pela primeira vez, o fascio littorio em sua camisa. Dentro e fora do campo, é impossível ver com bons olhos a temporada 1933/34. A exceção foi o início da explosão de Guaita, que terminaria a temporada como artilheiro romanista, com quinze gols – e seria peça fundamental do time no ano seguinte.

@gioguerreiro

1932/33 1934/35


F I C H A
  • 1933/34


    Campeonato: 5ª Posição

    Vitórias: 16

    Empates: 8

    Derrotas: 10


    Guaita: 15 gols

    Scopelli: 13 gols

    Tomasi: 8 gols

    Costantino: 6 gols

    Bernardini, Eusebio: 3 gols

    Dugoni: 2 gols

    Banchero, Ferraris IV, Fusco, Scaramelli: 1 gol



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