23ª Rodada Roma 3-1 Lazio, 26/03/1932

Se na temporada anterior, mesmo com altos não tão altos e baixos assustadoramente baixos, a Roma conseguiu ser a “melhor do resto” em um campeonato dominado por Juventus e Bologna, em 1932/33 os sonhos de glória do presidente Renato Sacerdoti estavam inflamados. Após disputar o título ponto a ponto (1930/31) e ficar na terceira posição mesmo em crise (1931/32), a Roma foi atrás de reforços para buscar o primeiro scudetto. Sacerdoti queria uma demonstração de força, superação e perseverança que deixasse claro que o posicionamento do clube era lutar sempre pelo topo. Mas o ano não correu como o esperado.

Desde as contratações, os dados não estavam caindo conforme as vontades romanistas. A diretoria tentou atrair os principais jogadores de Torino, Bologna, Juventus e Ambrosiana-Inter com generosas propostas – sem sucesso. Os clubes não permitiram a saída de suas estrelas e a Roma encontrou em Pasolini (Brescia), Banchero (Genoa), Dugoni e Scaramelli (Modena) as alternativas. Alguns jogadores também deixaram a capital, mas a espinha dorsal do time de János Baar se manteve. O objetivo de montar uma máquina, entretanto, se mostrou falido desde o início.

A Roma começou a Serie A surfando em um mar de poucas ondas. Venceu Casale e Triestina em casa, mas perdeu para Milan e Juventus. Após cinco rodadas e um empate no Campo Testaccio contra o Padova, o time estava em nono na classificação e tinha um dérbi pela frente. A Lazio da época, cheia de oriundi sulamericanos, ainda buscava sua primeira vitória na stracittadina. E conseguiu. Após o 2 a 1, as críticas em cima das capacidades de comando de Baar e da dupla de ataque Banchero-Volk se intensificaram. A vítima foi o treinador, que deixou o clube. Seu compatriota, Lajos Kovács, foi o sucessor escolhido.

O novo comandante era muito mais rígido, desde os treinamentos até a alimentação e a vida noturna dos jogadores. O desgaste era questão de tempo, mas a consequência imediata foi uma substancial melhora na equipe, em sequência invicta de cinco partidas (com quatro vitórias). O dilema ofensivo foi solucionado e Volk saiu por cima, mas acabou não tendo uma temporada tão artilheira quanto se esperava dele. Foram apenas doze gols, muitos deles infelizmente inúteis, como em derrotas duras para Napoli, Genoa e Ambrosiana-Inter. Entretanto, Volk fez um na goleada de 4 a 0 sobre o Milan, que reacendeu a confiança. A Roma estava no pelotão de cima e ainda sonhava em alcançar a líder Juventus.

É claro que, após a goleada sobre os milanistas, as próximas partidas soterraram a possibilidade de luta pelo título. Não poderia ser diferente. A Roma perdeu para a Juventus e empatou com Triestina e Padova. Dali para frente, nem mesmo uma sequência de dez jogos com apenas uma derrota foi suficiente para salvar o ano. Na verdade, valeu apenas pelo troco nos rivais capitolinos (3 a 1) e pelo chocolate em cima do Torino (7 a 1), pois o foco já era em 1933/34.

O argentino Nicolás Lombardo, que havia passado a temporada machucado – e perdido a titularidade para Scaramelli – vai à sua terra natal e fecha com novos contratados em nome do clube. E não é só: desiludido com a quinta posição, o presidente Sacerdoti se desapega da base vice-campeã de 1930/31, e prepara um desmanche para a temporada seguinte.

@gioguerreiro

1931/32 1933/34


F I C H A
  • 1932/33


    Campeonato: 5ª Posição

    Vitórias: 14
    Empates: 11
    Derrotas: 9

    Costantino: 15 gols
    Volk: 12 gols
    Fasanelli,Eusebio: 9 gols
    Chini : 4 gols
    Bernardini,Banchero: 2 gols
    Dugoni, Sacaramelli: 1 gol



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