Foto da equipe que desossou a Juventus por 5 a 0, 15/03/1931

A manutenção de Herbert Burgess e a contratação de reforços importantes permitiu à Roma, pela primeira vez, se posicionar com autoridade na disputa pelo título italiano. Rafaelle Costantino, que disputava a Serie B pelo Bari mas era figura carimbada na seleção nacional, chegou por 130 mil liras (destas, 60 foram de luvas, pagas direto ao jogador). Além dele, o então jovem – que depois se tornaria histórico – goleiro Guido Masetti chegou do Verona por 50 mil liras e Bodini foi contratado junto à Cremonese, além das novidades Ferrari e Lombardo. Foram muitas saídas também, com destaque para o goleiro Ballanti, que rumou para Florença, Fornaciari e Delle Vedove.

O treinador Burgess era polêmico, certamente, mas montou uma equipe de respeito. Era uma Roma preparada para lutar no topo da tabela. O técnico inglês também demonstrava a humildade necessária para superar seu próprio temperamento – após um desentendimento com Masetti, por exemplo, assumiu a culpa e, com a ajuda de Fulvio Bernardini, restabeleceu a tranquilidade no vestiário romanista, fundamental para a ótima campanha de 1930/31 e para o desenvolvimento de seu goleiro, que tinha apenas 22 anos.

Após começar o campeonato com duas vitórias e dois empates, a Roma encara a Juventus em Turim e perde por 3 a 2. Mas entre o jogo de ida e de volta contra os bianconeri, apenas mais uma derrota, contra o Milan. Foram doze vitórias e três empates, e a equipe capitolina chegava para o confronto em Testaccio com uma sequência de cinco triunfos, nos quais havia marcado quinze gols e sofrido nenhum. Naquela partida, que posteriormente virou filme, a relação subiria para vinte-zero. A Roma humilhou a Juventus com um 5 a 0, dois de Bernardini. É em homenagem aos onze titulares neste passeio que surge a histórica Canzone di Testaccio – e é com o mesmo time-base que a Roma enfileira Pro Patria, Bologna, Casale, Livorno e Pro Vercelli, com direito a 7 a 1 para cima dos amaranto.

Ainda disputando o título cabeça a cabeça com a Juventus, a Roma chega embalada para o dérbi de volta, na Rondinella, após ter empatado com a Lazio em Testaccio no primeiro turno, por 1 a 1. Volk, em especial, vivia um momento iluminado – e terminaria a temporada como artilheiro do campeonato, com 28 gols. Mas um jogo contra uma Lazio mediana e muito atrás da Roma na tabela (17 pontos) ainda é um dérbi, onde as forças costumam se equilibrar. O empate em 2 a 2 não foi o pior dos resultados, mas simbolizou um fracasso: a Roma poderia ter assumido a liderança, com a derrota da Juventus para o Bologna.

O verdadeiro banho de água fria viria nas duas rodadas seguintes. A Roma, sem Fulvio Bernardini, suspenso, apanhou da Ambrosiana (atual Internazionale) por 5 a 0 e depois empatou sem gols com o Legnano. As goleadas subsequentes sobre Torino (5 a 1) e Genoa (5 a 0) não adiantaram, já que na penúltima rodada, mesmo batendo o Milan em Milão por 2 a 0, a Roma viu a Juventus vencer a própria Ambrosiana, abrir três pontos de diferença e sagrar-se matematicamente campeã. O primeiro scudetto ficou a um passo, mas a campanha era de se orgulhar. Além da artilharia de Volk, a Roma teve o melhor ataque e a melhor defesa da competição. Além disso, o vice-campeonato permitiu ao clube disputar a Copa da Europa Central (conhecida como Copa Mitropa), entre junho e novembro de 1931.

@gioguerreiro

1929/30 1931/32


F I C H A
  • 1930/31


    Campeonato: 2ª Posição

    Vitórias: 22

    Empates: 7

    Derrotas: 5


    Volk: 29 gols

    Fasanelli: 17 gols

    Chini: 12 gols

    Costantino, Bernardini : 8 gols

    Lombardo: 7 gols

    Eusebio, Bodini: 2 gols



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