Formação giallorossa que venceu a Cremonese por 9 a 0. Roma, 13/10/1929

Uma temporada em que muito do que faz parte da história da Roma teve seu início. Da inauguração do Campo Testaccio, histórico estádio romanista, à uma mudança central no Campeonato Italiano: pela primeira vez, não houve divisão de grupos – todos jogaram contra todos, dando à Roma a oportunidade de enfrentar em um mesmo campeonato todos os rivais do norte, o Napoli e, é claro, a Lazio. Foi em 1929/30 que começou a história do dérbi dentro de campo, embora fora dele a rivalidade já estivesse nascendo. Afinal, a Roma já havia contratado Fulvio Bernardini – um ex-laziale que se tornaria ídolo giallorosso – e, dessa vez, quem atravessou o rio Tibre foi o técnico Guido Baccani, que iniciou a temporada à frente da squadra romanista; Garbutt havia deixado a capital rumo ao sul, para comandar o Napoli.

A aventura de Baccani com a Roma, entretanto, durou pouco. Algumas fontes históricas garantem, inclusive, que o clube já negociava com Herbert Burgess, e a demora para tirar o inglês do Padova foi o que levou a diretoria romanista a fechar com Baccani de forma apenas temporária. Ainda assim, era ele o treinador em um momento inigualável da história da Roma: a primeira partida oficial no estádio próprio. O Campo Testaccio, que havia custado cerca de um milhão e meio de liras, foi a casa da vitória da Roma sobre o Brescia por 2 a 1, em 3 de novembro de 1929. Durante mais de uma década, o estádio foi o templo do “romanismo”, unindo para sempre a história do clube – fundado por membros da elite – com o bairro popular, seus moradores e frequentadores. Assim a tifoseria giallorossa começou a ter vida própria, criando sua identidade e história de apoio e amor incondicional – muitas vezes, com força e personalidade, capaz até mesmo de transformar o clube para melhor, moldando ao longo dos tempos o que significa ser romanista.

O abraço do torcedor foi tão significativo que mesmo os jornais da época garantem que no primeiro dérbi, em 8 de dezembro de 1929, a ampla maioria dos torcedores no Stadio della Rondinella (casa laziale) estavam do lado da Roma. Segundo crônica do Il Littoriale, “90% do imenso público agitava bandeiras aurirrubras. Pode-se dizer objetivamente que a Lazio jogou no campo do adversário”. Na partida do segundo turno, quando a Roma jogou em casa não apenas figurativamente, mas também literalmente, nova vitória na stracittadina: 3 a 1 sobre os rivais da capital.

Muito antes disso, é claro, Herbert Burgess já havia assumido a equipe, e foi o treinador nos dois dérbis disputados na temporada. Inclusive, o inglês pegou o time, após derrota para o Pro Vercelli, já com duas pedreiras pela frente: a líder Ambrosiana (atual Internazionale), que seria campeã ao fim do campeonato, e o primeiro dérbi logo depois. Venceu os dois. Após o 2 a 0 sobre a Ambrosiana, ambos os clubes capitolinos chegaram para o dérbi com a mesma pontuação; só um saiu de campo com dois pontos a mais que o rival. 1 a 0 para a Roma, gol de Volk – que terminaria a temporada como artilheiro romanista, com 21 gols. Fulvio Bernardini, com uma fratura na mandíbula, não disputou o dérbi de ida, mas jogou e fez gol na partida em Testaccio.

Ainda antes da inauguração do estádio, a Roma aplicou uma goleada de 9 a 0 sobre o Cremonese. Depois, já com casa própria, humilhar os adversários no campo sagrado de Testaccio se tornou costume em 1929/30: 5 a 0 na Triestina e no Pro Patria, 7 a 0 sobre o Pro Vercelli e 8 a 0 em cima do Padova. Os goleados se juntaram à Brescia, Ambrosiana e Lazio como eternos derrotados na primeira temporada do estádio romanista, assim como Genoa, Milan, Livorno, Modena e Torino. A Juventus, infelizmente, não foi vítima. Mas na partida contra os bianconeri em Turim, uma ocasião especial: Burgess escalou dez romanos como titulares – um deles, Fernando Eusebio, um “romano honorário”, tendo nascido em Rimini e vivendo na capital desde os quatro anos. O clube e a cidade se misturam desde sempre. Na Roma, em especial naquela época, o jogador italiano sempre foi importante; mas o romano, ainda mais.

A Roma terminou o campeonato na honrosa sexta posição, empatada em pontos com a Alessandria e o nobre Bologna. 36 pontos em 34 partidas, todas as quais tiveram as presenças de Bruno Ballante, Giovanni Degni e Attilio Ferraris integralmente – na época, não havia substituições. A campanha ainda foi coroada pelo segundo melhor ataque da competição, com 73 gols – atrás apenas da campeã Ambrosiana, que marcou 85.

@gioguerreiro

1928/29 1930/31


F I C H A
  • 1929/30


    Campeonato: 6ª Posição

    Vitórias: 15

    Empates: 6

    Derrotas: 13


    Volk: 21 gols

    Chini: 13 gols

    Bernardini: 11 gols

    Fasanelli, Benatti: 9gols

    Eusebio, Ossoinach, Preti: 3 gols

    Barzan: 1 gol



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