O segundo campeonato giallorosso encontra pela frente um módulo com 32 equipes participantes (com oito a mais em vista do anterior) subdivididos em dois grupos com metade cada um. Os dois primeiros colocados de cada grupo se enfrentariam na grande final, eliminando os playoffs e os qualifys. Por incrível ironia que pareça a Roma chega em terceira, posição suficiente para poder participar das finais se imperasse ainda as regras do módulo anterior, depois do Torino (atual campeão) e do Milan, mas seria digna de vice-líder do grupo pelo futebol apresentado, ficando apenas dois pontos do time rossonero.

Nos jornais daquela época a mídia rasgava seda e enaltecia um time que não fazia parte dos blasonados do norte do país. Talvez quem sabe pela recente conquista da Copa CONI onde apresentaram uma excelente campanha ou ainda dos bons reforços que se juntaram ao elenco, eles falavam de um time romanista que atrevidamente ocupava o pódio do campeonato. A Roma fica em terceiro na classificação final do campeonato e a missão de Italo Foschi chega ao seu porto. Desta forma, e com muita dor no coração, o presidente se despede da torcida e ruma para Spezia onde exerceria a função de prefeito e deixa o cargo do clube.

Na capital ninguém ressente a mudança, até porque seu substituto era um certo Renato Sacerdoti, recheado de dotes essenciais para gerir a função. Compustura, muito dinheiro, energia de sobra e paixão de torcedor doente pelas cores do clube. Jamais em toda nossa história um cargo caiu tão bem como este para Sacerdoti e ninguém discute quando se afirma categoricamente que ele fora o presidente mais completo que esta sociedade já possuiu.

A chegada de Sacerdoti permite uma série de contratações de peso: Barzan, Bernardini, Benatti, D'Aquino, Eusebio e o famoso bomber "Siegfried" Volk. O técnico inglês William Garbutt continuaria no comando do time, Fulvio Bernardini vinha da Inter de Milão, Barzan do Milan, D’Aquino do Novara, Eusébio da Alba/Fiumana e finalmente, depois de uma briga acirrada com o Napoli pelo seu passe, e pelo de Mihalich, Rodolfo Volk.

O retorno do filho pródigo Fulvio Bernardini e do artilheiro Volk fora uma das contratações mais justas que se poderia esperar para um time que ambicionava o topo da tabela. Se falássemos hoje de tais contratações diríamos que era um time para ser campeão italiano.

Era difícil se tornar ídolo em um time que tinha Ferraris e Bernardini, mas pode-se admitir que no meio disto tudo um certo loiro "Sigghefrido" (herói lendário da mitologia nórdica e personagem central da Saga dos Volsungs) ou "Sciabbolone”, como os torcedores carinhosamente apelidaram Volk, teve seu espaço e glória merecidos.

Este atacante tinha o hábito de jogar de costas para o gol desorientando a zaga oponente e confundindo-os depois com ágeis piruetas. O vasto físico voltado para a área adversária afim de poder aproveitar melhor as manobras do time, o poder balístico nos pés tanto de direita quanto de esquerda que imobilizavam os goleiros que estavam a sua frente eram seu cartão de visita. 26 gols são o suficiente para dizer quem foi Volk nesta temporada para a Roma se comparados ao ano anterior, nem juntando todo o saldo do meio de campo e ataque daria conta de igualar tal marca já que a Roma de 27/28 fez 31 gols no total. Chegou com apenas 22 anos em plena forma física e foi o homem-espetáculo por quatro temporadas.

Grande também foi a temporada do lateral Angelo Barzan e do homem de pedra proveniente de Gallipoli Raffaele D'Aquino; mas o popular redator "Sor Vincenzo" (Biancone) destacava com veemência em seu artigo de fim de temporada o esplêndido campeonato de Bernardini e de Attilio Ferraris tornando-se o encaixe perfeito para o time e uma das muralhas mais respeitadas da Itália que assistia suas primeiras aulas de um método que lhe renderia muita fama no futebol futuramente.

Diria que palavra melhor não existiria para exprimir tamanha eficiência e cumplicidade que teve na história romanista como a de duas substanciais bandeiras colocando em prática a grande marca do DNA da paixão giallorossa.

Nos confrontos diretos com os dois outros times que chegaram a frente (Torino e Milan) obteve cinco dois oito pontos em disputa. Em Milão a Roma não tomou conhecimento dos rossoneri e esfaqueou o Milan dentro da própria casa. Já em Turim amargou os 3 a 0 do Torino, mas enfiou seis no jogo de volta na capital no time granata (Volk marcou cinco gols).

@zamacwb

1927/28 1929/30


F I C H A
  • 1928/29


    Campeonato: 3ª Posição

    Vitórias: 17

    Empates: 6

    Derrotas: 7


    Volk: 25 gols

    Chini: 14 gols

    Fasanelli: 13 gols

    Bernardini: 9 gols

    Benatti: 3 gols

    D'Aquino: 2 gols

    Corbyons,Barzan e Ferraris IV: 1 gol



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