Formação que venceu a Pro-Patria por 3 a 1 no dia 4 de dezembro de 1927

Enquanto o Campo Testaccio na via Zabaglia sob o Monte dei Cocci iniciava suas obras, a Roma começa sua preparação no Motovelodromo Appio (que serviria para os seus primeiros 2 anos de vida), estrutura pertencente a Audace, que anos atrás havia feito fusão com a Alba. Com o intuito de selecionar os tantos nomes a disposição vindos dos antigos times da fusão de Alba, Fortitudo e Roman a sociedade agenda vários amistosos de caráter internacional e outros com boas equipes da Itália.

No dia 16 de julho de 1927 a Roma com um time B enfrentou os húngaros do U.T.E. (hoje Ujpest). Os técnicos Piselli (ex Alba) e Ging (ex Fortitudo) mandam a campo; Ballante, no gol, Sansoni III, Bianchi; Scocco, Zamporlini, Giannini; Scardola, Jacoponi, Antonio Bianchi, Sbrana e Canestrelli. O jogo terminou empatado em 2 a 2. No dia seguinte seria a vez do time principal com o goleiro Rapetti; Mattei e Corbyons nas laterais; Ferraris IV, Degni e Caimmi na linha de defesa; Heger, Boros e Rovida no meio campo; Cappa e Ziroli na frente. A Roma vence o jogo por 2 a 1 com gols de Cappa e Heger. Dia 24 de julho retorna a campo, desta vez para enfrentar o Attila Budapest e venceu o amistoso por 1 a 0 com um gol de Sbrana e no dia 19 de agosto jogou contra o Slavia da Bulgaria.

A poucos dias do início oficial do campeonato italiano, a Roma ainda disputaria dois amistosos; O primeiro, contra o Livorno, no dia 11 de setembro e apesar do time ter vencido os amarantos por 3 a 2 com dois gols de Chini e um de Rovida no estádio Rodinella, a torcida fica ressabiada quanto ao seu real potencial. O segundo amistoso é contra o Slavia Sofia e a partida termina com um balaio de gols para ambos lados: 5-4. A vitória romanista teve as marcas de Rovida, Bussich, Degni, Chini, Luduena, Corbyons e o encontro havia sido disputado no Estádio Nacional.

Depois dos experimentos a diretoria giallorossa chega a conclusão que para as ambições criadas em torno da nova sociedade, seria preciso de um técnico com grande um grande currículo e experiência suficiente para formar a cara do time. Decidiram então trazer de Genova o inglês William Garbutt.

A principal divisão do país, com o nome de Campeonato Nacional iniciaria no dia 25 de setembro de 1927 iniciaria um campeonato composto por 22 equipes e dois grupos, com os 4 primeiros lugares que passariam para a fase final em octogonal, também por pontos corridos para decidir o campeão italiano. A equipe giallorossa havia feito apenas uma aquisição, o atacante Bussich. A Roma nasce grande e o resultado final de seu debute no campeonato italiano é de uma vitória pelo marcador de dois a zero (Zirolli e Fasanelli). A primeira vitória fora de casa foi contra o Busto Arsizio no campo da Pró Pátria. O capitão da primeira Roma foi Attilio Ferraris IV; quarto, de quatro irmãos que militaram também nas formações da Fortitudo.

O time iniciou bem a temporada, teve dificuldades, como era de se esperar principalmente quando enfrentava equipes mais técnicas e por causa disto, na tradicional paralisação para o returno, faz outros amistosos para poder se firmar no certame. Na reta final e talvez por este primeiro impacto com o futebol forte apresentado pelas equipes do norte do país, sua adaptação, principalmente a nível técnico deixou a desejar indicando que o caminho, embora contrário ao orgulho romano, seria o da contratação de peças realmente de peso para compor o elenco. Quase noventa por cento do elenco giallorosso era romano e muitos deles jogavam no time sem nem mesmo receber um centavo, justamente porque sustentavam que jogar em um time com o nome da cidade, que acabara de nascer, dava orgulho e portanto uma honra sem igual. A grande maioria dos jogadores possuía muito pouca técnica, com exceção de alguns, jogavam mais com raça e amor a camisa do que propriamente dito talento. Com 6 vitórias, o mesmo número de empates e 8 derrotas a Roma ficou na oitava posição do Grupo B, não chegando a qualificação para o octogonal final.

Mesmo com a frustração de ficar fora do grupo dos 4 para passar aos playoffs definitivos daquele campeonato, ainda sim a Roma teve forças para erguer uma taça: a Copa Coni. Em setembro de 1928 disputaria o título com o Modena em três jogos: Roma 0-0 Modena (22/07/1928), Modena 2-2 Roma (26/07/1928 Fasanelli e Ferraris IV) e Roma 2-1 Modena (29/07/1928) (Corbyons (pên.) e Bussich).

O homem mais representativo daquela formação era o capitão Attilio Ferraris IV, natural de Borgo Pio, que já vestia a camisa da seleção italiana e estava destinado a tornar-se campeão do mundo em 1934. Attilio disputou 210 partidas com a camisa rubro-amarela marcando dois gols. Chegou a ser vice campeão com o a Roma na temporada 1930-31.

Um ano depois levou o time a conquista do terceiro lugar e já começava a incomodar as grandes da época. Um emissário da Juventus Football Club, como sempre e já naquela época, sacou do bolso vinte mil liras; duas dezenas de promissórias de mil cada uma. Era muito dinheiro naquela época, porém sem se distrair do trabalho que estava fazendo o pai de Ferraris IV disse:

"Nunca vendi meu filho e nunca o venderei. Por qualquer cifra que seja"

Attilio seria então o primeiro jogador oficialmente da Roma que nascera. O primeiro também a demonstrar seu amor e fidelidade as cores da cidade, por ser romano. O primeiro da fila de grandes gladiadores capitães, que tiveram orgulho de endossar a camisa romanista.

@zamacwb

1928/29


F I C H A
  • 1927/28


    Campeonato: 8ª Posição

    Vitórias: 6

    Empates: 6

    Derrotas: 8


    Bussich: 9 gols

    Chini: 6 gols

    Zirolli/Fasanelli: 5 gols

    Cappa: 3 gols

    Corbyons,Narizano e Canestrelli: 1 gol



    Copa Coni: Campeã

    Vitórias: 9

    Empates: 4

    Derrotas: 2


    Fasanelli: 10 gols

    Chini: 6 gols

    Cappa: 3 gols

    Ferraris IV,Mattei,Bussich,Bianchi: 2 gols

    Bossi,Maddaluno,Ricci: 1 gol



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