É o primeiro ano de vida da Roma e sob o comando de um apaixonado técnico inglês, desde a sua criação deste esporte, segue seu doce destino de nascer grande, de surgir vitoriosa. A mesma grandeza citada e lembrada na canção de Antonello Venditti conduzida através dos anos pela fanática e apaixonada torcida romanista dispersa pelos quatro cantos do planeta, afinal não somos simples torcedores e sim uma Legião que aprendeu a amar estas cores sob quaisquer circunstâncias.

De fato William Garbutt, primeiro técnico da recém criada Associazione Sportiva Roma em julho de 1927 depois das fusões de Alba, Fortitudo e Roman, depois de seu reconhecido trabalho antes de chegar a capital teve seu apreço principalmente na vontade do então presidente Italo Foschi que fez questão de trazê-lo para comandar a primeira Roma da história.

O inglês aceitou prontamente a proposta de Foschi e logo coloca em prática sua arrojada metodologia de jogo que se baseava na forte preparação física, dribles em velocidade, o espírito de grupo e a valorização da técnica individual de cada um em seus setores do campo. Garbutt utilizava o módulo WM, revolucionário na época dispondo um quinteto no ataque: três avançados mais dois no suporte logo atrás.

A base deste jogo era a meia cancha do time, função desenvolvida com muita disciplina pelo zagueiro romano Giovanni Degni que incorporava sua missão com muita eficiência. Ao redor dele engrenava todo o restante da equipe, com a defesa composta pela dupla de laterais Mattei e Corbyons além dos dois volantes mais abertos capitão Ferraris IV pela direita e Pierino Rovida na esquerda.

No meio de campo, um pouco mais a frente de Degni traçavam o jogo Cesare Augusto Fasanelli e Enrico Cappa, excelentes construtores de jogadas e ao mesmo tempo faziam a interdição adversária.

Logo a frente, o croata Mario Bussich levemente recuado, os pontas Luigi Ziroli e o argentino Arturo Ludeña Quini, ou simplesmente Chini, já que na Itália não se usa a letra Q, tinham liberdade de avançar em linha de fundo para os cruzamentos ou ainda se posicionarem mais centralmente buscando a conclusão a gol. Ziroli pela direita e Arturo pela esquerda. Por sua vez o centro-avante Mario Bussich tinha a tarefa de avançar e concluir a gol, seja na sustentação ou distribuição para as chegadas de Fasanelli e Cappa.

Porém, mais que noções táticas e técnicas, a Roma de Garbutt incorporou sua mentalidade vencedora, que se concretizou rapidamente com a conquista da Copa CONI, competição criada pelo Comitê Olimpico Nacional Italiano que justamente levada seu nome e que mais tarde deu origem a então conhecida Copa Itália nos dias de hoje.

Sua disputa teve tamanha envergadura que foram necessárias três partidas com o Modena na final, depois de uma longa fase de grupos. Foram oito vitórias, quatro empates e duas derrotas para a Roma chegar a finalíssima. Cesare Augusto Fasanelli foi uma das principais estrelas, conquistando a artilharia da competição com dez gols, 4 deles em uma única partida na vitória sobre a Dominante (hoje Sampdoria) por 6 a 0.

A primeira final realizada na capital no dia 22 de julho de 1928, terminou empatada sem gols. Quatro dias depois foi a vez do adversário receber a partida em casa e mais uma vez a persistência do empate, desta vez com mais emoção, já que a Roma perdia por 2 a 1 e já nos acréscimos, depois de uma conclusão na trave de Attilio Corbyons o capitão Ferraris IV intercepta o rebote e empurra para as redes deixando tudo igual novamente e adiando a disputa para uma terceira partida para o desempate.

O jogo de desempate, conforme previa as regras da competição naquela época, deveria ser disputada em campo neutro, e sendo assim Florença foi escolhido como novo local de disputa prevista para dia 29 de julho, três dias depois.

A dois dias do encontro decisivo, o Modena propôs a Roma que a Copa fosse consentida “Ex Aequo” (com igualdade de direitos), mas a sociedade romanista replicou com um longo telegrama que se concluiu assim:

“Acreditamos que a improvisaria suspensão do torneio, sem um encontro definitivo, machucaria os ideais esportivos da Capital, que replica a sua equipe um ultimo esforço para alcançar sua meta. Por isto, mesmo que o comprovado valor do cavalheirismo adversário nos faça entrar em campo com algum suspiro de agonia, preferimos o leal combate ao consentimento amistoso”

Sendo assim a partida se realizou e a Roma venceu por 2 a 1 no tempo suplementar graças ao gol do croata Mario Bussich aos cinco minutos do segundo extratime. O primeiro gol veio da conversão de um pênalti em gol nos pés de Attilio Corbyons. O Modena empatou aos 90 minutos do tempo regulamentar. O anúncio da conquista do título pela Roma foi anunciado das janelas da Galleria Colonna na capital, e para a cidade naquele momento, futebolisticamente falando, era o início de uma nova era.

@zamacwb

1º Título Italiano


F I C H A
  • COPA CONI



    Vitórias: 9

    Empates: 4

    Derrotas: 2


    Fasanelli: 10 gols

    Chini: 6 gols

    Cappa: 3 gols

    Ferraris IV,Mattei,Bussich,Bianchi: 2 gols

    Bossi,Maddaluno,Ricci: 1 gol



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