O trajeto


Segundo Tempo.

Aos três minutos de jogo contrapé de Toninho Cerezo que lança Sebastiano Nela, interceptado por Lawrenson que manda para escanteio. Aos 4’ Graziani tenta um chute de fora da área e a bola termina muito perto do angulo. Aos oito minutos cruzamento de Nela, lançado por Di Batortolomei, Cerezo desvia, cabeçada de Graziani, defesa de Grobbelaar. Aos 13’ chute de Falcão do limite da área, bloqueado pelo goleiro.

Aos dezesseis minutos cruzamento de Falcão, Grobbelaar sai perde a bola, mas Pruzzo não consegue se aproveitar. Aos 18’ lançamento de Cerezo para Graziani, Grobbelaar se antecipa com os pés fora da área e coloca para a lateral.

Segundos depois Pruzzo é obrigado a deixar o campo e no seu lugar Liedholm coloca Chierico. Aos 27’ o Liverpool também muda colocando Nicol no lugar de Johnston. Aos 32 minutos Nela entra dentro da área, mas não consegue servir Chierico e Graziani. Dois minutos depois, chute de Dalglish que empenha Tancredi em mergulho, e aos 37’ o goleiro da Roma é obrigado a sair com os pés para intervir Nicol lançado na área.

Aos quarenta e um minutos mais uma vez Nicol perigoso, que entra dentro da área e conclui, Tancredi rebate.

O árbitro apita o fim do tempo regulamentar de jogo sem conceder acréscimos. Roma e Liverpool empatam em 1 a 1 e partem para os suplementares.

O Olimpico, estádio mais bonito da Itália. Brilhoso e alegre com as suas arquibancadas em mármore, a pista de atletismo a separar o campo do publico, sobre o qual os jogadores correm depois do gol para receber o abraço das curvas, o verde de Monte Mario se fazendo de paisagem de um lado, o rio Tibres (Tevere) do outro. Dizem que para o futebol não é o mais adaptado, que das tribunas a vista não é muito boa pela grande distância do campo. E será também verdade, mas quando se enche de coros e cores como esta noite é um verdadeiro palco cênico o mais ambicionado por um jogador.

Depois tem o San Siro, em Milão. O Scala do futebol, o chamam, porque é ali que se exibem duas equipes blasonadas como Milan e Inter, e porque fora feito exclusivamente para jogar futebol, sem a pista que divide o público dos jogadores, com os anéis construídos um sobre o outro. Jogar naquele estádio é um sonho de todo menino que veste uma chuteira pela primeira vez, e para Agostino Di Bartolomei conseguir aquele feito coincidiu com a primeira partida pela Série A.

A estréia, aquela que fica para sempre, foi no San Siro que então simplesmente se chamava assim, enquanto hoje rebatizaram-o como “Giuseppe Meazza”, em honra ao centro avante que entre as duas guerras mundiais aterrorizava os goleiros. Ocorria onze anos antes desta noite.

No dia 22 de abril de 1973, décima primeira rodada do returno do campeonato da Série A, em Milão se enfrentavam Inter e Roma. Uma disputa que traz recordações ruins, porque no jogo de ida terminou mal, melhor muito mal: 2 a 0 no tapetão para a Inter, resultado decidido pela justiça desportiva italiana por uma invasão de campo no final do jogo. Era dezembro, o campeonato ainda não tinha chegada a sua metade e a Roma de Herrera, capitão Cordoba, Bet, Santarini, Cappellini e Spadoni, conservava algumas hipóteses de topo de tabela. Existiram algumas deslizadas dos quais em especifico no derby com a Lazio (um chute esquisito do líbero celeste Nanni, quase do meio campo), mas no começo os romanistas partiram da quarta posição (oito pontos em cinco partidas, quando uma vitória valia 2) e o compromisso com a Inter no Olímpico vinha depois de duas vitórias consecutivas.

A Inter era aquela do técnico Invernizzi, onde ainda pairavam Bedin, Burnich, Mazzola, Boninsegna e Corso, e a Roma jogou de igual pra igual. Saiu na frente com uma cabeçada do ex-interista Cappellini, aos 13 minutos do primeiro tempo, depois sofreu empate com Boninsegna aos 28 minutos, mas de resto foi a equipe de casa a merecer mais. Até que aos 89’, depois de uma queda aparentemente fortuita de Morini sobre Mazzola no limite da área, o arbitro Micheletti assinalou pênalti para a Inter. Chute de Bonisegna, o goleiro Ginulfi consegue apenas tocar na bola, gol. Um minuto depois, enquanto as equipes ainda estavam jogando, um torcedor entrou em campo pela Curva Norte e subsequentemente outros também. As forças de ordem ficaram surpresas, um dos invasores conseguiu pega Micheletti que fora salvo por dois dirigentes da Roma, em campo cenas de chutes e pancadaria, não apenas entre policiais e torcedores - então emparelhados em dezenas no campo - mas também entre jogadores e técnicos das duas formações. Ciccio Cordova, capitão giallorosso, fora interposto a força enquanto enquanto lançava se revoltava diante do árbitro e os adversários, que queriam efetivamente fazer diferente; Bonisegna levou um soco de um invasor. Depois aos poucos o ar do estádio se tornava irrespirável por causa do gas lacrimogêneo, e os confrontos prosseguiram em volta do Olímpico por mais de duas horas. O balanço final foi vinte e cinco feridos, quatro presos, um condenado e muitos comentários sobre uma equipe ao qual mais uma vez fora negado o salto de qualidade.

“Roma resta com um bastão de segurança e a convicção de não poder jamais ser inserida no duelo das assim chamadas grandes porque terá sempre algum arbitro pronto a cortar suas asas”, escreve Giorgio Tostai no “Corriere dello Sport”. “A história se repete: quando estamos no meio de equipes milanesas e quem sabe a Juve, o discurso técnico passa em segunda linha e a Roma além de ter que carregar suas próprias dores pelos erros não pode fazer outra coisa senão sentir-se vitima de decisões arbitrais bizarras ou ferozmente severas”. Daquele dia em diante os romanistas não conseguiram vencer por bem dez rodadas, militando em zonas perigosas da parte de baixo da tabela de classificação, e o presidente Anzalone decide então demitir Herrera. A equipe foi confiada ao técnico do time Primavera Trebiciani que com os seus meninos estava próximo de conquistar o título italiano da categoria, com a tarefa de evitar o rebaixamento do time principal.

Para dar uma sacudida no ambiente e ter jogadores mais motivados o novo técnico escolheu apostar sobre alguns jovens. Entre estes estava Agostino Di Bartolomei, que no dia do jogo entre Roma e Inter, havia jogado contra o Cesena e vencido, recebendo os elogios do comentarista que o definiu “muito lúcido no jogo de interdição e no de lançamento”. No jogo de volta, então, foi chamado para entrar em campo contra os nerazzurri, primeira partida pela Série A, com a camisa numero onze, junto com Ginulfi, Peccenini e Scarlatti; Salvori, Bertini e Bet; Morini, Franzot, Orazi e Spadoni. Agostino joga no lugar de Cordova, “indisponível” bem como Santarini e Cappellini, mas tem quem sussurre que o capitão - amado, mas também mal suportado pela torcida giallorossa que se divide entre apresentações geniais e as vezes desastrosas, habituado segundo muitos a ditar as leis dentro do vestiário porque é marido da filha do ex-presidente Marchini - preferiu evitar a partida de Milão para não ficar de fronte com Boninsegna que, dizem, na quase rixa do Olímpico lhe havia prometido o troco. Seja como for, no seu lugar joga Di Bartolomei.

Termina 0 a 0 - sob uma chuva que o incomoda até a metade do primeiro tempo e sob os olhos de vinte e seis mil expectadores - sobretudo por desmérito dos interistas. “Merecido o empate da jovem Roma no San Siro contra a Inter-caos”, entitula a “Gazzetta dello Sport”. Analisando a apresentação dos romanistas, o jornalista escreve: “A Roma colheu um precioso empate que a consente de se afastar da zona mais perigosa da classificação… Defendia claramente o 0 a 0 e obteve sem precisar recorrer ao jogo duro e intimidatório, sem truques e sem compaixões arbitrais… Ótimo Bet na sua nova função de “libero”, Scarlatti sempre muito enérgico e tempestivo, Salvori comandante do meio campo. O jovem de dezoito anos Di Bartolomei estreou na Série A de modo positivo, com eficazes intervenções, sobretudo de cabeça e também com algumas inserções em zona ofensiva”. É o tempo do amargo Cora, do Ovomaltina que “da força”, como dizem os jogadores famosos na publicidade, do Stock’84 que no domingo a tarde faz propaganda “Tutto il cálcio minuto per minuto” (todo o futebol minuto por minuto) na rádio:

“Se a vossa equipe venceu, brinde com um Stock… se perdeu, console-se com Stock…”. Agostino se mostrou sobre o palco cênico do grande futebol e encontrou pela frente campeões como Burnich, Facchetti, Mazzola e Corso, aqueles da Inter mundial de Herrera que sentia escutar desde criança. No domingo seguinte Di Bartolomei está mais uma vez em campo pela Série A, desta vez no Olímpico de Roma, para enfrentar a Fiorentina, mais uma vez com a camisa número 11. Termina empatado em 1 a 1, com um gol contra de Peccenini e outro de Scarlatti, mas o espetáculo colocado a mostra pela equipe de casa é definitivamente desplante; as melhores ocasiões tiveram o lateral Scarlatti e os meio-campistas Morini e Salvori.

No final do jogo o presidente Anzalone comenta: “pedimos desculpa ao publico pelo jogo oferecido pela Roma. Neste momento precisamos de compreensão, o nosso objetivo é apenas aquele de conquistar um resultado útil que nos consinta salvar-nos do rebaixamento”.

Na partida seguinte Di Bartolomei deixa o lugar para um outro jovem emergente, o “meia atacante” Francesco Rocca; a Roma acumulará ainda mais dois empates e uma derrota, conquistando dois pontos que a consentem de chegar a quota 24 e salvar-se da Série B, mas apenas por um saldo de gols melhor que a Atalanta. Agostino volta a jogar com a sua Primavera onde se respira outros ares, aqueles de scudetto. Mas agora sua inserção no time principal pode-se considerar algo feito.

Para a temporada 1973/74 Anzalone engaja como treinador o “filosofo” do futebol italiano, Manlio Scopigno, que comandou o Cagliari a conquista do primeiro titulo italiano. Naquele time Scopigno tinha Riva; em Roma Anzalone oferece um outro ala esquerda do passado celebre mesmo se um pouco menos celebrado: Pierino Prati, conhecido como “Pierino a peste”, vinte e sete anos, seis temporadas no Milan de Rocco em grande nível, vice-artilheiro em 1970/71 com 19 gols em 29 jogos, atras de Bonisegna. Nas ultimas duas temporadas, na verdade a sua veia de realizador ficou meio apagada, mas seu talento parece ainda estar intacto.

Juntamente com Prati, a Roma traz uma outra velha gloria do futebol italiano, Angelo Domenghini, trinta e dois anos, ala direita da Itália vice-campeã do mundo na Copa do México de 1970, protagonista do título italiano do Cagliari com Scopigno e antes um pouco ponto de força da Inter mundial. Outras aquisições: o stopper do Verona Batistoni, o volante da Sampdoria Negrisolo, o segundo goleiro Paolo Conti. A nova Roma, em suma, ponta sobre alguns nomes de peso e de experiência a serem explorados entre os jovens nos quais Anzaloni continua a acreditar. Entre estes certamente está Di Bartolomei, que no album de figurinhas Panini está inserido entre os titulares como “meia atacante; altura 1,80, peso 71 kg; crescido na Roma, 1 presença na seleção juvenil”. A sua face escura - os olhos quase encobertos pela sobrancelha, o nariz que faz sombra e os capelos cerrados -, com camisa amarelo-laranjão com bordas vermelhas, se torna uma daquelas que as crianças trocam na frente dos portões da escola ou durante o recreio; um bem precioso, a colar com cuidado sobre o album ou utilizar para se ter outras figurinhas quando se tratar de repetida.

Na primeira rodada do campeonato, no dia 7 de outubro de 1973, a nova Roma se apresenta no Olímpico, diante de um publico sempre aficcionado mesmo com as continuas desilusões. Cinquenta mil pessoas vieram para assistir o duelo contra o Bologna de Bulgarelli, Perani, Savoldi e aquele Fausto Landini crescido justo em Roma, vendido para a Juventus e depois movido para as duas torres, que porém hoje não joga. Os romanistas vem a campo com Ginulfi, Morini, Peccenini; Rocca, Batistini, Santarini; Domenghini, Spadoni, Cappellini, Di Bartolomei e Prati.

A Roma parte bem, cria boas ações e ocasiões de gol perdidas por muito pouco, mas aos 17’ é o Bologna que passa na frente. Di Bartolomei erra um apoio no meio-campo, Cresci conquista a bola e cruza para o meio da area, Batistone intervém de cabeça, mas a bola acaba no ala direita Pierino Ghetti que chuta para o gol e bate o goleiro Ginulfi. Durante todo o primeiro tempo a equipe da casa tenta remontar sem sucesso, e o gol do empate vem apenas aos 4 minutos do segundo tempo, quando Morini cruza da esquerda e Prati mergulha de cabeça: 1 a 1. Um belo gol que inflama o estádio. A Roma insiste, Prati acerta o travessão, até que aos 27’ Rocca serve Morini, apoio para Domenghini que se lança na direita, chega na linha de fundo e cruza para o meio onde Di Bartolomei; arremate aéreo do limite da área e gol: Roma 2, Bologna 1. Agostino corre para comemorar o gol na Curva com os torcedores. Seu primeiro gol na Serie A coincide com a primeira vitória giallorossa no campeonato.

No final do jogo, no vestiário, Scopigno se diz contente e convida a calma: “estou satisfeito pela metade. No meio campo ainda existe um pouco de confusão, enquanto eu quero uma manobra mais limpa, mais linear, conduzida a frente com maior frieza. Hoje, por exemplo, Rocca correu muito e concluiu pouco, porque é jovem, e como todos os jovens se deixa levar pelo entusiasmo. Di Bartolomei, ao contrario, que é um frio, um racional, se adaptou muito melhor; diria ainda que jogou muito bem”.

Nas notas do “Messaggero” Lino Cascioli dá 7,5 para Agostino e comenta: “Alguma medida talvez presenças, mas interessante. Um gol estupendo por intuição e por um chute calibrado milimetricamente. Um outro chute que Cresci recebe plenamente finalizando o assalto. E depois talento de boa escola. Temperamento e sangue frio, peca apenas no caráter e no passo que é muito sob medida. Se corresse um pouco mais seria realmente perfeito”.

É uma critica, esta da excessiva lentidão, que Di Bartolomei carregará por toda a carreira. Mas hoje não é o momento de pensar nisto de fato. A alegria pelo gol é tal que só tem espaço para comemoração. E em casa, como troféu pessoal desta jornada inesquecível, Agostino leva a bola do jogo com um autografo sobre ela de um outro marcador, Pierino Prati, um que já era campeão quando jogava no Oratório. Hoje jogam lado a lado na Roma, marcaram um gol cada um levando a equipe a vitoria; o que mais deve pedir alguém que completou dezoito anos apenas seis meses atrás.

Depois do prometedor inicio, porém, a Roma de Scopigno, puxa o freio de mão: três derrotas consecutivas, uma vitória e outra derrota. Quatro pontos em seis partidas, uma marca mortificante que faz cair o “filosofo”. Assume o comando o “barão”, Nils Lidholm, que no ano anterior levou a Fiorentina para a quarta posição na tabela. Mas a estréia é um baldo de agua fria, a Roma perde dois derbys consecutivos: aquele “do sol” contra o Napoli e o de casa com a Lazio que se prepara para conquistar o titulo. No final do primeiro turno está próxima da zona do rebaixamento com 12 pontos. O returno fora um pouco melhor e no dia 10 de fevereiro de 1974, no Olímpico, Liedholm faz estrear na Série A outro menino crescido no viveiro giallorosso, Bruno Conti, no jogo contra o Torino que termina 0 a 0. No derby contra a Lazio a Roma sofre outra derrota e a punição de perda de mando por duas rodadas por causa de nova invasão de campo e rixas entre torcidas.

O campeonato se conclui em maio, enquanto a Italia se divide ao referendum sobre o divórcio; a Roma termina em oitava com 29 pontos, com o artilheiro Prati com nove gols, Agostino Di Bartolomei com oito presenças e o único gol da primeira rodada. No restante se dividiu entre a Primavera, com a qual conquista a Copa Itália e mais um título italiano, e um pouco de estudo na tentativa de se dedicar também um pouco a universidade. No entanto se consumou o encontro que marcará toda a sua carreira de jogador, aquela com Nils Liedholm. Durante o verão o Varese, neo promovido a Série A propõe a Roma a compra de Di Bartolomei, mas é o “barão” em pessoa - para a alegria de Anazlone, que sempre acreditou e continua acreditando no rapaz de 1955 - a dizer não. Agostino parte com o time principal para o retiro nas montanhas ao redor de Brunico, e na foto oficial da Roma de 1974/75 é o sétimo a esquerda, ajoelhado entre companheiros do time Primavera Alimenti e Luconi, desta vez bem penteado, com os cabelos ajeitados sobre um semblante que lembra traços de um antigo romano e que lhe valem o apelido de “Caligula”.

Entre novas aquisições estão os jovens atacantes Penzo e Curcio, que volta a Roma depois de nove temporadas (e a conquista de um título italiano) com a camisa da Fiorentina. Além de Cordova, em suma, existe um outro concorrente de luxo no meio campo giallorosso, mas Agostino não retrocede. Nos dias de retiro corre e sua mais que os outros, Liedholm começa a fazer planos sobre ele, mas eis que um dos obstáculos típicos de um jogador - o menisco - interrompe esta corrida.

O joelho de Di Bartolomei cede durante uma partida treino, a imediata operação tem sucesso, mas a articulação fraturou em três pontos, e a recuperação é mais lenta que o previsto. “O primeiro pedaço”, relembrará Agostino em uma entrevista, “saltou para fora logo quando o cirurgião abriu o joelho. Para mim aquela intervenção foi uma experiência amarga, muito dolorida, tanto é verdade que por oito noites não consegui dormir tamanho mal; porém foi preciosa no que diz respeito ao amadurecimento”.

Quando o amigo dos tempos de liceu Corrado Mezzanotte vai visita-lo no hospital, poucos dias depois da operação, Agostino está já movendo a perna para cima e para baixo, para não perder o tom muscular e recuperar o mais rápido possível. Ele sabe bem que o campeonato está na porta, a concorrência é grande e conquistar um lugar no time principal não é fácil. Mesmo porque entre uma parte dos torcedores começa a surgir estranhos ares contra aquele jovem que se joga sobre o lugar do capitão Cordova. A Roma no campeonato parte mal, nas primeiras quatro rodadas conquista apenas um ponto empatando em casa com o Napoli, ultima posição na classificação e zero gol no ativo. No meio tempo Di Bartolomei se curou, e no dia 3 de novembro Lidholm o escala em Varese no lugar de Ciccio Cordova. Termina 0 a 0, com os romanistas marcados como uma equipe capaz apenas de adormentar o jogo. Depois de três semanas Agostino está em campo novamente contra a Juventus, em Turim, e os giallorossi são derrotados por 1 a 0, gol de Damiani. Cordova nem mesmo embarcou, preferiu ficar em casa. A sociedade o multou e ele respondeu: “Não estava confiante”. A volta para Di Bartolomei se torna uma espécie de pesadelo.

No aeroporto de Caselle, um grupo de torcedores começa insulta-lo, mas o pior ocorre no Fiumicino, onde esperando o filho está o pai Franco. Três torcedores o reconhecem e tentam passar das palavras aos fatos, chega Agostino que logo corre em defesa do pai, entre socos e tapas desencadeia o separa briga, os agressores escapam. Como expectadores assistem a cena também os jornalistas que descrevem Di Bartolomei, “não certamente o pior em campo em Turim, antes, perdido no choro, em meio a uma crise de nervos”. E revelam que talvez atras do episódio exista algo que vai alem da improvisada explosão agressiva: “Ha algum tempo o jovem está sendo molestado de todas as maneiras. Telefonemas anônimos de insultos e ameaças o acordaram mais vezes no meio da noite. Tudo isto faz pressupor que se trata de uma perseguição organizada que talvez está ao ponto de ser desmascarada. O mesmo presidente Anzalone fora ameaçado pelo telefone de represálias se então insistisse em fazer jogar Di Bartolomei. O jogador está moralmente destruído temendo que se coloque na mira sua familia. Nós perguntamos: quem tem interesse de destruir este jogador?”.

Então, quem teria interesse de bloquear o acesso de uma jovem promessa tão dedicado a Roma? Apenas dias antes, em uma entrevista ao “Corriere dello Sport”, Agostino havia declarado todo seu amor pela camisa romanista: “Quando no verão passado o senhor Lidholm me disse de ser contrário a minha transferência para Varese, me enchi de orgulho; conseguira realizar meu sonho, aquele de reconquistar a confiança do técnico e um lugar no time principal. A proposta do Varese não era ruim, teria aceitado a transferencia, mas para alguém como eu, romano até a ponta dos cabelos, não existe nada de mais belo que poder jogar na Roma”.

Di Bartolomei sabia como conviver com a “fama de antipático” construída rusticamente sobre um “caráter fechado e instrospecto”. E acrescentava: “Quanto a presunção, acredito que me rendeu muito mal o fato de gostar de estudar e me atualizar, interessar-me por tudo… Me agrada muito inclusive a literatura: italiana, russa, romanesca. Sou um cultivador apaixonado por Trilussa e Belli, autores de poesias belíssimas e tristes ao mesmo tempo, que tiveram o ímpeto de descrever precisamente o animo romano. E não é verdade que o romano é um alegrão; é sobretudo triste porque é consciente pela sua decadência dos tempos nos quais dominava o mundo aos de hoje”. Hoje Agostino Di Bartolomei - romano e romanista, jovem jogador mais culto que os outros, ao qual agrada ler e estuar além de dar uns chutes em uma bola de couro - se encontra em ter que acertar as contas com outros romanos que não existam em utilizar insultos, ameaças e força para fazer valer suas razões. Que sabe lá quem são. Fato está que Agostino se culpa um pouco mais, e ao amigo da meia noite revela outro episódio, ocorrido em uma noite enquanto dirigia seu carro: “Em uma passarela me fecharam, tentando fazer com que eu batesse contra a parede de propósito”.

Ele porém não se deixou intimidar, e todos os dias estava no Tre Fontane para treinar, o técnico e o presidente estão do seu lado. “Picchio” De Sisti, que o conheceu naquela estranha temporada, o recordava como “um que no vestiário brincava, mas depois fora se tornava sério e silencioso. Era uma espécie de jovem nascido velho, que parecia raciocinar como um velho”. O exato contraio, em suma, do exemplar mais conhecido entre os meninos que chegaram ao grande futebol, esclarecido e pleno de si. Para destemperar as tensões a Roma toma uma decisão, e logo após a derrota diante da Juventus consegue seis vitórias consecutivas. Tem inicio com a Lazio com um gol de De Sissi, no primeiro domingo em que o Olímpico toca as notas do hino escrito por Antonello Venditti, Roma, uma canção que entra logo no hit parede e que obriga o cantor a retirar o disco do mercado para evitar que o sucesso distorça a atenção do seu novo álbum 33 giros a ser lançado.

No returno a equipe perde apenas duas partidas iniciais, depois tem uma única longa corrida ao terceiro lugar final, inflamada por uma outra vitória no clássico - com um gol de Prati que marca a queda da Lazio na classificação e de Pierogol, como ecoado pela Curva Sul, o presidente celeste Chinaglia entra na mira da policia. No final da temporada as presenças de Di Bartolomei no time principal somam treze, as de Cordova vinte e sete. No meio tempo Agostino estréia na seleção sub 23, no dia 16 de abril de 1975 no jogo entre Italia e Iugoslávia em Novi Sad, sob o comando de Enzo Bearzot. Começou no banco, enquanto os companheiros de equipe Paolo Conti e Peccenini titulares, mas depois o técnico o colocou no meio, aos 14 minutos do segundo tempo, no lugar de Pecci “meio abaixo do tom”, e o romanista - referem-se as narrativas - “se adapta rapidamente ao clima, lutando com coragem e finalmente trinta”. A partida termina 0 a 0, e Di Bartolomei também alcança a azzurra e o futebol internacional. A temporada, em suma, é um pouco negativa, mas o jogador entendeu que na Roma, até que Cordova, que deve entretanto entrar em campo, estiver no time, não tem como existir espaço para um jovem como ele. E visto o clima que se criou, para jogar com mais continuidade e acumular experiência é melhor mudar de ares.

“Naquele tempo”, explica o “barão” Nils Lidholm, “quando via que jovem poderia se tornar forte, o mandavam para outros cantos para um ou dois anos, de modo que pegasse experiência e se desenvolvesse, talvez na Série B. Ocorreu também com Di Bartolomei e Bruno Conti; o primeiro mandamos para o Lanerossi Vinceza e o segundo ao Genoa”.

Hoje não fazem mais, ou quase. Hoje em dia uma jovem promessa é logo colocado no meio, a experiência e o desenvolvimento se faz diretamente em contato com os experientes, com todas as responsabilidades que lhes são atribuídas. No verão de 1975, então, Anzalone - que entende não renegar sua “política juvenil” - cede a titulo de empréstimo aqueles dois jovens que cresceram em casa, enquanto adquire jogadores que fizeram sua história longe dali e que poderão - em teoria - se tornar úteis a Roma.

Para um Di Bartolomei e um Conti que partem, para a corte de mister Nils Lidholm chegam Loris Boni, rochoso meio campista da Sampdoria, e Carlo Petrini, um ponta que com vine e sete anos ainda não conseguira convencer as equipes por onde passou, tanto que mudou de time quase todas as temporadas: Lecce, Genoa, Milan, Torino, Varese, Catanzaro, Trepana e agora Roma. Do Barletta, na Série C, volta também Stefano Pellegrini, companheiro de Di Bartolomei e Conti no time Primavera romanista.

Naquele ano a Roma não irá longe. Arriscará muito inclusive, concluindo o campeonato com 25 pontos, uma décima posição que vale menos ainda se pensarmos que o Ascoli foi para a Série B com 23. As vitórias no escore romanista serão apenas seis, diante das onze derrotas e treze empates. O melhor realizador se revelará Petrini, com seis gols, Pierino Prati fará apenas dois em dez jogos disputados.

Mas enquanto o seu campeonato se arrasta de maneira desiludida, o futuro da Roma se constrói longe. Em Genova, onde o “fuleiro” Bruno Conti joga trinta e seis partidas de trinta e oito e com a camisa rossoblù, marca três gols; e em Vicenza, onde Agostino Di Bartolomei recém chegou junto com o outro Primavera D’Aversa na equipe treinada por alguém que já conhecia do rapaz classe 1955, mas sem o devido tempo de realizar suas esperanças: o “filosofo” Manlio Scopigno.

O Lacerassi Vicenza recém caiu para a segunda divisão, e o presidente Farina quer voltar novamente a Série A. Para isso decide apostar nos jovens, mas com Di Bartolomei tem logo de cara um problema de contrato. Antes que terminasse o empréstimo com o Lanerrosi, o pai de Agostino havia entrado em acordo com Anzalone por um engajamento do filho em torno de trinta milhões de liras. Quando se decide que o jovem deve partir, o presidente da Roma havia explicado ao pai e ao filho que em Vicenza ganharia menos, vinte e quatro a vinte e cinco milhões.

“Tudo bem” disse os dois, “para jogar…”. Agora descobre que Farina não quer pagar mais que quinze milhões. Di Bartolomei participa do retiro com a equipe, joga as partidas da fase classificatória e o destino quer que no dia 21 de setembro de 1975 se encontre de fronte justo com sua Roma. O resultado termina empatado em 0 a 0, com algumas rusgas em campo, entre ele e Cordova; a Roma é eliminada, e para Agostino é um pequeno troco.

No entanto o problema com Farina não está resolvido: o presidente não quer subir sua oferta, o jogador não aceita seu pedido e o contrato não chega a assinatura. Até que não interceda Anzalone, que em uma segunda-feira pela manhã se encontra com Di Bartolomei em Roma e lhe diz: “Agostino, conversei com Farina, está disposto a dar-lhe dezesseis milhões: você assina por aquele valor e a diferença lhe dou eu”. O jovem confia e assina, e mais uma vez o pai Franco lembra como foram as coisas com Anzalone: “quando voltou para Roma, um dia depois o presidente, em pessoa, o chamou e sobre a escrivaninha lhe apresentou o dinheiro da diferença que Agostino deveria receber”.

A experiência com a camisa com listras vermelhas e brancas, então, pode seguir adiante. Agostino em Vicenza decide fazer sua casa, porque a vida em hotel lhe entedia. Aluga um apartamento, compra os móveis, começa a convidar os novos companheiros de equipe; um pouco para não ficar só e também para afastar aquela fama de rapaz fechado e introspectivo que veio junto consigo também no Norte. Giulio Savino, auxiliar de Scopigno naquela temporada, quase vinte anos depois dirá assim: “Di Bartolomei era um menino de ouro, educado, tímido e de poucas palavras, mas decisivamente equilibrado. Completamente diferente, em suma, de D’Aversa, com o qual veio de Roma: o último era o clássico “romano”, despachado e quase esfacelado. Exato contrario de Di Bartolomei. Atillio Michelin, chefe de torcida histórico do Vicenza, acrescentará: “me lembro uma vez quando voltou pra casa com não sei qual especialidade romana, e convidou todos os companheiros, uma noite, a aprecia-la. Muitos, porém, cancelaram o compromisso, e Di Bartolomei sofreu muito”.

Massimo Braschi, meio campo de belas esperanças que chegou a profissionalismo justo com o clube biancorosso, havia dezessete anos Agostino lhe parecia já um veterano: “em muitos jogos fora de casa, compartilhei o mesmo quarto com Di Bartolomei, e sabia que tinha um caráter particular. Em relação aos outros falava pouco, era esquivo, fazia continuamente esforço para cumprimentar, mas a sua não era aquela da presunção ou outro, era índole. Em privado, no entanto, era outra pessoa. Não sei, talvez lhe era simpatico, fato que me dava tantos conselhos e nos treinos, onde é mais fácil que saia um insulto onde naturalmente vem o encorajamento, me ajudava sempre”.

Quase todas as segundas-feiras Agostino voltava para Roma, para ficar com a familia, com os amigos e meninas que iniciavam a ficar ao seu redor, como ocorre com quase todos os jogadores novos. O senhor Franco se dá conta disso, o deixa se divertir e quando cai em si brinca. Como um dia de inverno no qual, na hora do almoço na casa de Roma, telefona uma vizinha da vilinha de Lavinio no litoral. Responde a senhora Maria Luisa, e a amiga avisa: “as janelas da casa de vocês estão abertas, tem alguém lá ou foram vocês que deixaram abertas?”. Maria Luisa não cai em si: “Não, não tem ninguém e eu me lembro de te-las fechadas”. Franco, que está comendo e sabe que Agostino a pouco tempo está saindo com uma menina cubana, entende que o filho fez uma incursão ao mar e intervém para tranqüilizar as duas mulheres: “fui eu que as deixei aberta, não se preocupem”.

Um dia depois para o filho não diz nada, vai até Lavinio e sobre os criados mudos do leito matrimonial deixa duas garrafas de Vov. Passa alguns dias e Agostino - depois de mais um giro invernal na casa do litoral - o apostrofa sorrindo: “te divertes a brincar comigo eh?”. Com uma outra menina, ao contrário, o jovem jogador vive uma bruta aventura. É segunda-feira a noite, Agostino está ainda em Roma antes de partir para Vicenza, e sai para jantar com uma doce companhia. Durante a noite, no restaurante entram dois assaltantes armados que levam dinheiro, relógios e joias de todos os presentes, inclusive de Agostino e da menina que estava com ele. O rapaz fica revoltado com a situação e volta para casa desabafando com o pai, que se preocupa ao ponto de ligar para seu amigo Corrado Mezzanotte para acompanha-lo até Vicenza. Cortado, muito ligado a familia Di Bartolomei, não bate cílio: “Sor Frà, não tem problema, amanhã vou”. E deste modo um dia depois Agostino e o seu amigo partem juntos; Mezzanotte fica em Vicenza por toda a semana, durante o dia segue os treinos do amigo, ou faz uns giros pela cidade, com o risco de se entediar um pouco, mas conseguindo entender que na província existe um clima muito adaptado ao caráter e inserção de Agostino.

Aqui aquele rapaz pacato fora aceito bem pelo publico, e se em uma metropole passional como Roma um dia te exaltam como campeão e no dia seguinte, o primeiro passo em falso, te disparam um par de tijolos, em uma cidade pequena como Vicenza tudo é mais remediado e vivido com mens intensidade, lhe deixam trabalhar e viver em paz. O ideal para um jogador ainda nos primeiros passos, que deve amadurecer e ao qual é natural que possa errar, dentro e fora do campo.

O campeonato do Lanerossi Vicenza na temporada 1975/76 começa em baixa. Começou com uma derrota em Avellino e um empate em casa diante do Atalanta, prossegue com um 0 a 0 achado em Novara “uma equipe triste, que teria merecido amplamente levar uma derrota com placar tenístico, e ao invés disto fora incrivelmente poupada”, escreve o jornal “La Stampa”. E também a formação a disposição de Scopigno não falta gente esperta - o centro-avante Vitali, por exemplo, e um velho combatente como Angelo Benedicto Sornani, que completara 36 anos - ao lado de jovens interessantes: Marangon, Prestanti, Braschi, além de D’Aversa e Di Bartolomei. A equipe galopa na zona baixa da tabela por todo o torneio, entre continuos escorregões, medos e recuperações, e consegue conquistar a matemática salvação da Série C apenas na penultima rodada, depois de um empate em 1 a 1 em casa com a Spal. Na ultima partida do campeonato, em Taranto, Di Bartolomei não joga. O presidente Farina, o qual sabia que aquele rapaz teria que voltar para Roma, obtido a salvação o enviou logo para casa. Agostino foi embora de Vicenza com uma bagagem de jogador enriquecida com trinta e seis presenças em um campo duro e difícil como aquele da Série B, quatro gols e muita experiência a mais.

Em Roma, depois da falha de 1975/76, Nils Lidholm está fazendo novos projetos em cima dele e Bruno Conti, e nos respectivos retornos do “exílio” os acolhe de braços abertos. “Quando voltaram”, afirmou relembrando daqueles anos vividos, “eram jogadores feitos. Agostino tinha vinte anos recém completados, e já comandado uma equipe”.

Além das voltas de Conti e Di Bartolomei, os vultos novos daquela Roma 1976/77 são dos de Musiello, Maggiora e Menichini. O primeiro é um centro-avante de vinte e dois anos, proveniente do Avellino onde, na temporada precedente, havia marcado 18 gols em 32 partidas; o segundo é outro rapaz classe 1955, meio campista contratado junto ao Varese, mas crescido na Juventus; Menechini, classe 1953, é um zagueiro revelado no Novara. Todos jovens, em suma. Mas a verdadeira novidade, no retiro de Brunico, é a ausência de Ciccio Cordova.

Depois de nove anos vestindo a camisa romanista - os últimos como capitão; amado e contestado, mas sempre com a faixa - o napolitano nascido por acaso em Forlì e adotado pela Roma havia atravessado o rio Tibres e trocado a camisa, escolhendo a Lazio. Um choque para a torcida que o haviam enaltecido e ainda considerado um filho, uma confirmação para quem o julgava um equivoco ou - pior - um pouco bom.

Ele mesmo sabia “trair”com aquela transferência, mas fez de propósito; tomada a decisão de rejuvenescer o elenco e cortar os ramos secos, Anzalone o havia colocado no topo da lista de partidas, e havia acertado com o Verona. Mas Cordoba disse não e quase por afronta, por despeito, promete: “Ainda jogarei em Roma”. Isto é com a Lazio, onde o presidente Lenzini e o técnico Vinicio o acolheram sem pensar duas vezes. Uma escolha que teria provocado a reação ameaçadora e em alguns casos violenta dos ultras romanistas e um acolhimento frio por parte da torcida celeste, mesmo ficando por lá três temporadas nas quais jogará quase todas partidas.

Na Roma órfã de Cordova, o novo capitão é o líbero Sergio Santarini, um dos veteranos em uma equipe onde encontram sempre maior espaço os jovens agora mais que merecida confiança como Rocca, Menechini, Sandreani, Maggiore, Conti. E Di Bartolomei. A primeira rodada do campeonato se joga em Genova, com o recém promovido Genoa no qual um certo Roberto Pruzzo, vinte e dois anos centro-avante do Crocefieschi, na entre terra liguria, se fez conhecer na Série B ao som de gol (18 em 32 jogos, como Musiello) e promete fazer outro tanto na Série A. É justo ele, Pruzzo, depois dos gols de Damiani e Prati que no primeiro tempo haviam fixado o resultado de 1 a 1, a recolocar os rossoblù na frente aos 13 minutos do segundo tempo, até o gol contra do lateral Rosetti, a quinze minutos do final, terminando em 2 a 2 a partida. A Roma não é um gran quê, mesmo se no final do jogo Anzaloni confirma sua confiança na “linha verde”: “Agora pelo menos a equipe combate com orgulho, não cede, e começa a colocar a mostra um jogo discreto”. Em um panorama por assim dizer cinzento, mesmo se no inicio da temporada tudo é enxergado com muita benevolência e as esperanças ainda intactas, para Agostino Di Bartolomei - vindo a campo com a numero 8, já que a 10 é do “Picho” De Sisti - recomeçam as críticas a sua lentidão.

Liedholm o defende desde a primeira partida. “Muita segurança em si”, diz no vestiário de Genova, “e a boa visão de jogo as vezes podem ser mudadas pela apatia e vicio, mas Di Bartolomei se saiu bem, sobretudo no segundo tempo”. A critica esportiva ao contrário, terminado o dualismo com Cordova em vantagem de Agostino, começa a colocar na mira o jovem meio campista. São anos pelos quais o mito do futebol veloz e total da Holanda na copa do mundo de 1974 chamou atenção inclusive na Itália, e um jogador considerado “lento” deve demonstrar-se um gênio para ser tolerado. Se incomodam para ser mais claro com Gianni Rivera, estamos falando de um menino que tem pouco mais de 22 anos que pela primeira vez encara o palco cênico da Série A.

“Que Di Bartolomei tenha idéia de jogo, capacidade de longos lances, potência no chute e efetiva bagagem técnica já se sabe”, escreve o jornal “Il Messaggero” comentando o jogo contra o Genoa, mas depois acrescenta: “Foi revisto em Genova como a sua ação é descontinua, telefonada, nula de talento. Nos contrastes, de fronte a convidar os meio campistas genoanos, a sua relação faltou. No futebol atlético ou de movimento se cede um, como o meio campo, tudo desanda. Tem razão ainda Bernardini (técnico da seleção) quando, inclusive a propósito de Rivera, diz que nenhum grande jogador pode ficar em campo nas custas de outros”.

Começa com estas premissas um campeonato que verá a Roma navegar no meio da tabela de classificação, como ocorre já a muitos anos, entre alguns lampejos e mais frequentes aprofundamentos. Encerrará na oitava colocação, com 28 pontos furto de nove vitórias, dez empates e onze derrotas. É o ano no qual Francesco Rocca, rebatizado “Kawasaki”, já conhecidíssimo na seleção além de Roma, interrompe bruscamente sua carreira por causa de uma lesão no joelho ocorrida em treinamento.

É o ano da bela vitória por 3 a 1 sobre a Juventus no Olímpico, 30 de janeiro de 1977, uma das duas derrotas dos bianconeri em um campeonato vencido ao fotofinish sobre o Torino na ultima rodada, 51 pontos contra 50. Aquele resultado leva inclusive a marca de Di Bartolomei, autor do primeiro gol contestado pelos juventinos por um suposto impedimento, e de qualquer modo de Antonello Venditti: o hino composto pelo cantor voltou a fazer cantar os cinquenta mil romanistas do Olímpico e a Roma voltou a ser bela, pelo menos por um dia, quase a querer confirmar as palavras da canção: Roma, Roma, Roma… Não te fazes encantar, tu és nata grande, e grande hei de restar…”

É o ano dos derbys vencidos um por parte (Lazio 1-0 Roma e Roma 1-0 Lazio) e da enésima ilusão vinda a ultima promessa adquirida como potencial ao ataque giallorosso, aquele Musiello que em vinte e sete jogos marca apenas sete gols. É o ano no qual, “o bomber” romanista, melhor realizador do campeonato com oito gols, é um jovem meio campista julgado lento e pouco adaptado aos ritmos do futebol moderno: Agostino Di Bartolomei. O qual, depois do gol realizado na Juve declara decidido: “Quando se marcam sete gols como soube fazer até hoje, não acredito que ainda se possa falar de casualidade”.

O jovem continua a se sentir a cada domingo que passa sob exame, e isto o incomoda. Mas agora está crescendo, e claro se no final da temporada Liedholm vai embora porque a sua “zona” não agrada ao publico e não dá resultados, sabe-se que ele também está no futuro da Roma. Na volta de Vicenza deixou a casa dos pais e comprou uma por conta própria, no bairro Eur. Fora do campo de jogo frequenta os amigos de sempre, romanistas como ele, com os quais comenta os altos e baixos da equipe, endossando obviamente as culpas sobre os outros.

Aquele eterno problema do gol, a exemplo, Di Bartolomei o explica com a incapacidade do novo contratado Musiello de concluir a gol: “para marcar deve girar ao redor do gol, primeiro não bate”. Ele, ao contrário, chuta e marca mais que os outros naquela temporada, e a despeito da critica o publico começa a apreciar aquele rapaz com semblante de antigo romano, que quando corre - ou troteia, como acusam alguns - no meio de campo baila em torno ao colo a correntinha com um pequeno crucifixo pendurado. O apreciam a tal ponto que os menininhos ficam amontoados na entrada do Tre Fontane para saudar seus campeões, na saída treinamento seguram também seu carro, para pedir-lhe um autografo.

Muitas vezes, naquele momento, com ele está Corado Mezzanotte, o amigo ao qual uma vez pede - a ele que guiava o carro - de passar direto sem parar. “Porquê?”, pergunta Corrado. “Porque me parece estranho”, responde Agostino. “Não é que não quero autografar, mas me pergunto porque querem…”. Mezzanotte está habituado as reflexões do amigo sobre o senso da vida, mas desta vez especula: “Agostino, mas o que queres? Tens esta fortuna e está a se perguntar porque?”. E ele sorri: “de fato, é realmente uma fortuna. Pense você que pagam para me divertir...”.

Seus ares submissos e destacado deixam para trás entretanto, mesmo nas ocasiões publicas. Uma noite, em uma festa, Agostino está junto com uma moça, mas uma outra mulher, loira e apresentável, é atraída por ele. Se chama Marisa, o vê e pensa que aquele rapaz que vaga, sozinho e silencioso, a observar os outros cabisbaixo, é um presunçoso que acredita ser sabe lá quem. Quando lhe apresentam revelam que é um jogador da Roma. Ela o observa e diz: “Bem, em suma… um que trabalha com os pés”. Ele, sem perder a elegância, rebate: “Tu ao contrário o que fazes?”. “A hostess da Alitalia” responde Marisa, segura de si e da sua função. Replica Agostino: “Ah, a arrumadeira de bordo!”. Por aquela noite acaba ali, se reencontrariam por acaso alguns meses depois.

Partido Liedholm para a chegada do Bologna de Gustavo Giagnoni, a musica para a Roma não muda. No final do campeonato 1977/78 está na mesma oitava posição com 28 pontos, somente 3 a mais do Genoa que volta para Série B. E mais uma vez Agostino Di Bartolomei o melhor realizador da equipe, este ano com dez gols, quatro sob a marca do pênalti. Apenas um gol a menos daquele realizado pelo trio de atacantes sob os quais apostou Giagnoni: o então definitivamente apagado Musiello (três gols) e os jovens Ugolotti e Caçarola, todos dois formados em casa, quatro gols cada um.

Os últimos três pontos conquistados para a classificação, decisivos para a salvação, levam justamente a marca de Agostino. No dia 30 de abril de 1978, enquanto a Italia assiste incrédula o sequestro de Aldo Moro que está rapidamente caminhando para uma tragédia final, no Olímpico entra em campo a Juventus, a qual falta um ponto para conquistar seu décimo oitavo título italiano. Os bianconeri abrem o placar aos 38’ do primeiro tempo, com um gol de Bettega terminando assim a primeira fração.

No segundo tempo as coisas mudam, como conta o enviado do jornal “Stampa”na prosa mais clássica dos jornalistas esportivos: “Aos 53’ a Roma reequilibrava o placar. Di Bartolomei servia Caçarola; a bola, reenviada por Scirea, caía próximo ao limite da área onde Di Bartolomei, mais rápido que Cuccureddu, disparava de direita no angulo baixo na esquerda da vítima Zoff. A torcida soltava um suspiro aliviado”.

A partida termina 1 a 1, a Juventus é campeã da Itália e a Roma tem que esperar ainda noventa minutos para a salvação matemática. A ultima partida do campeonato se joga em Bergamo, contra a Atalanta que tem um ponto a mais na classificação. Um empate seria bom para ambas equipes, e a partida se arrasta por mais de uma hora sem nenhuma emoção, congelada no 0 a 0. Mas a quinze minutos do final Musiello, servido na entrada da área, é interceptado por um zagueiro, perde a bola e também o equilíbrio, o arbitro apita a infração.

Di Bartolomei ajeita a bola no chão, e depois de muita discussão sobre a distancia da barreira chuta muito forte no cruzamento das traves; a bola rebate na terra, o goleiro dá uma espalmada para afasta-la, os atalantinos dizem que não entrou no gol, mas o arbitro concede: Atalanta 0 Roma 1.

É 7 de maio de 1978, ultimo ato de mais um enésimo decepcionante campeonato da Roma. Dois dias depois as Brigadas vermelhas encontram o cadaver de Aldo Moro no centro da cidade no meio da rua entre a sede do partido Democrata Cristão e do Partido Comunista Italiano.

No verão que chega move Sandro Pertini para o Quirinale e Roberto Pruzzo para Roma, centro avante de uma equipe ainda guiada por Giagnoni. O rapaz de Crocefieschi - mesma idade de Di Bartolomei; nascido no dia primeiro de abril de 1955, oito dias antes de Agostino - se demonstrou capaz de marcar também na Série A: dezoito gols no campeonato 1976/77 (o primeiro justo contra a Roma), nove no sucessivo. Agora que o Genoa voltou para a Série B e o colocou a venda, e foi alvo de muita disputa: além da Roma, o queriam também Juve e Milan, mas no final a cartada decisiva foi de Anzalone. E Pruzzo comemora: “eu e minha mulher torcíamos para a Roma”, dizia em uma entrevista concedida em setembro, quando está para vir efetivamente a convocação para a seleção. “Nestes dias me perguntei várias vezes: mas quem ganhou, a Roma ou o Genoa? Penso que todas as duas, melhor todos três. Eu terei mais dinheiro, mais popularidade e talvez a seleção, quem sabe para ficar no lugar de Pulici no banco de reservas. O Genoa voltará a Série A e a Roma terá finalmente seu centro avante”.

Aquele centro avante que a torcida romanista ainda está esperando desde a morte de Taccola a parte o parêntese muito breve com Pierino Prati. Junto a Pruzzo, - em troca do qual, porém, Anzalone fez retornar a Genova Bruno Conti -, para Roma voltou Luciano Spinosi depois de oito temporadas jogadas na Juventus e dezenove partidas na seleção. Nos titulares fora inserido como segundo goleiro Franco Tancredi, ex-reserva de Albertosi no Milan, e retornou Francesco Rocca, depois de quase dois anos de ausência dos gramados. Nos primeiros tempos romanos, na espera de encontrar um apartamento adequado, Pruzzo é hospede de Di Bartolomei, e o relembra - aos olhos de todos quase um repeteco - “como um tipo muito disponível mesmo se muito fechado”. Agostino lhe apresenta atracões e defeitos de Roma, que aquela Roberto descobre sozinho e as pressas: depois de seis rodadas pelo campeonato ele marcara apenas dois gols e a Roma colecionou apenas 3 pontos, uma média de rebaixamento. Giagnoni se lamenta porque na negociação de Pruzzo havia ido embora Conti, “compramos um atacante, porém cedemos aquele que poderia fazê-lo marcar”, e no final é ele a pagar: Anzalone o substitui com Valcareggi, ex-comissario técnico da seleção. Mas as coisas não melhoram muito, a Roma migalha 5 míseros pontos em nove partidas; único momento de vitalidade, a vitória no Olímpico sobre a Juventus campeã da Itália.

É dia 17 de dezembro de 1978, a Roma coloca em campo Conti, Peccenini, Maggiora; De Nadai, Spinosi, Santarini; Borelli, Di Bartolomei, Pruzzo, De Sisti e Ugonotti. A Juventus responde com Zoff, Cuccureddu, Gentile; Furino, Morini, Scirea; Fanna, Tardelli, Bonisegna, Causio e Bettega. Os juventinos partem logo para o ataque, mas depois de uns vinte minutos o jogo deles fica previsível, e permite a Roma de controla-lo melhor, até que aos 36’ do primeiro tempo os romanistas passam a frente: ação do jovem ala direta Borelli que toca para Ugolotti, Scirea tenta fazer o combate, a bola espirra para os pés de Di Bartolomei que, totalmente desmarcado, tem tempo de carregar o pé direito fazendo a bola terminar nas costas de Zoff.

No segundo tempo Virdis entra no lugar de Tardelli e depois de vinte minutos, com o jogo parado, perto da linha lateral do campo, o centro avante sardo tem um contraste com Di Bartolomei que termina no chão; o bandeirinha diz ao arbitro ter visto o jogador da Roma ter acertado o juventino com as cravas da chuteira e Virdis reagir com uma cabeçada. O arbitro da partida Bergamo, coloca os dois para fora. No vestiário o atacante bianconero solta declarações enfurecidas: “Não olharei mais na cara de Di Bartolomei, não o cumprimentarei mais, porque é um mentiroso. Não dei cabeçada nele, do contrário teria quebrado seu nariz e teria ficado por terra por muito mais tempo. Eu errei, admito, mas entre eu e ele houve apenas um simples contato, uma brusca aproximação, digamos. Elementos como Di Bartolomei, com seu vitimismo, fazem mal para o futebol”. No outro pavimento do Olimpico, aquele destinado a Roma, Agostino prefere falar do gol da vitória - “arrematei com toda minha força”- que simplesmente da expulsão: “Não quero dizer nada, além de que Virdis me acertou com uma cabeçada”. A justiça desportiva suspenderá ele e Virdis por duas rodadas.

Serão as únicas duas ausências de Di Bartolomei durante todo o campeonato. A torcida está agora se afeiçoando pelo meio campista que não é um fulmine velocista, mas demonstra caráter - inclusive no episódio que viu afrontar o juventino Virdis - e quer lutar. E o aplaude, invoca seu nome em coro, no dia 14 de abril de 1979, sempre no Olímpico, em ocasião de um jogo contra a Fiorentina.

A partida termina empatada em 1 a 1, com um gol de Agostino aos cinco minutos do segundo tempo em uma cobrança de falta próximo ao limite da área, o empate através de Amenta aos 15’, e uma clamorosa ocasião desperdiçada no ultimo minuto por Ugolotti, com o gol vazio. Grande parte do jogo Agostino joga com a cabeça enfaixada depois de um contraste com o zagueiro viola Tendi, e no final da partida lhe deveriam fechar a ferida com quatro pontos de sutura. Agostino brinca sobre o ocorrido, “pena que não sirvam para a classificação da Roma”, mas para o jornalista do “Corriere dello Sport” sancionam o matrimonio entre Di Bartolomei e os torcedores romanistas dos quais até o momento o haviam separado “o seu comportamento destacado, a tendência a recitar sua função do anti-divo. Ontem ao contrário no Olímpico lhe decretaram autenticas ovações: não apenas e não tanto pelo espetacular gol marcado, quanto pela coragem demonstrada em campo. Com um corte na cabeça no impacto com Tendi aos trinta minutos do primeiro tempo, Di Bartolomei ficou estoicamente em seu lugar, jogando com uma vistosa bandana e uma camisa ensopada de sangue. Talvez era preciso aquela prova de gladiador corajosa para levantar o entusiasmo do publico a sua pessoa”.

E feito assim o povo giallorosso, orgulho e patrimônio de uma sociedade que superou meio século de vida pronta a entusiasmar-se por um jogador que resta em campo com a cabeça ferida, esquecendo aqueles momentos de exaltação o insignificante empate ao qual está assistindo. Poucas marcas de potência como esta conseguem adocicar e fazer digerir verdadeiros campeões desvinculados no anonimato.

A temporada romanista, também este ano, se conclui com uma salvação arrancada na ultima rodada: 0 a 0 em Ascoli, depois um sofrido empate em 2 a 2 com o Atalanta (gol contra e de Pruzzo). O ex-genoano será o melhor realizador com nove gols, seguido por Ugolotti com seis e Di Bartolomei com cinco.

O menino de Tormarancia se tornou um ponto fixo de uma Roma mal posicionada não certo por culpa sua, mas tem ainda quem injete veneno na sua conta. Como aquele jornal milanês que as vésperas da “gladiadora prova” diante da Fiorentina, insinuou que Agostino não havia se apresentado sexta-feira, no retiro da equipe. Rebate o interessado: “É uma noticia absolutamente falsa, que respondo indignadamente. Estou furioso porque não me parece justo jogar descrédito sobre um profissional que faz seu dever, pontualmente, como todos os outros. Sexta era de maneira tal presente ao retiro que podem testemunhar Valcareggi, Bravi, Spinosi e Chinellato com os quais joguei por um longo tempo baralho”.

Eis, as cartas. Quando precisa-se organizar uma “mesa” para matar as chatices dos retiros, Agostino é sempre o primeiro. E as levas consigo na sua bolsa do qual não se separa jamais, que se torna motivo de brincadeiras por parte dos colegas, Jogam três setes (tressete) e raminho ( ramino), sobretudo. Nos anos a seguir fará dupla fixa com Pruzzo e deverá sofrer as fúrias do centro avante pelos seus presumidos erros. “Eu tinha a presunção de ser o melhor, como se fosse o inventor do tressete”, lembra ainda hoje Pruzzo, que os companheiros chamavam “Brontolo” (Zangado de Branca de Neve) porque sempre tinha o que rir de alguma coisa. “Por isto alguns vinham pro meu lado submerso das minhas pisadas. Até Agostino, ao qual gostava muito jogar e brincar”.

E ao qual agradava, também, conhecer e frequentar pessoas “que contam”, a outros ambientes e horizontes. Di Bartolomei vem de uma família católica, frequentou a paroquia para iniciar com o futebol, e permaneceu na sua fé até mesmo agora que cresceu e se tornou famoso. Quando vieram os novos campos da Roma em Trigoria se apresentou o monsenhor Fiorenzo Angelini - nome importante da Curia, “ministro da santidade” do Vaticano e futuro cardeal, apaixonado por futebol e destacado torcedor romanista -, Agostino está na primeira fila para recebe-lo. Os dois se cumprimentam, se apresentam iniciam um relacionamento que durará no tempo. “Batizei seu filho, como de outros jogadores”, relembra o cardeal. “Ele vinha de vez em quando me visitar e eu fui convidado algumas vezes para ir na sua casa. Me informava sobre o time, falávamos de futebol, mas também de outros argumentos. Era um verdadeiro cristão, praticante; um jovem muito independente e culto. Lia livros, colecionava quadros e como eu queria conhecer Renato Guttuso”.

O pintor comunista amigo do monsenhor se tornaria um grande entusiasmante de Di Bartolomei ao ponto de sustentá-lo sempre, até nos momentos difíceis. Como ele Giulio Andreotti, homem símbolo do poder democrático cristão e romano, influente sustentador dos romanistas, que lembra: “Havia uma grande humildade de caráter, enquanto os outros jogadores eram mais extrovertidos, dando abertura para piadas; ele ao contrário dava a sensação de um rapaz muito sério. Com Di Bartolomei me encontrava sempre para falar de livros porque descobri que lia muito, coisa incomum naquele ambiente. Alguns colegas o provocavam por causa disto”.

Obtida a salvação, em maio de 1979 Gaetano Anzalone, o dirigente que acreditava nos jovens, deixa a presidência da Roma para Dino Viola. Quando anuncia nos jornais e televisão, Anzalone se encontra a chorar como uma criança. O seu sonho de fazer grande a Roma tanto amada se dilui definitivamente nas lagrimas que banham os lenços sob os refletores das tele-câmeras. Nem mesmo a compra de um “bomber” como Pruzzo conseguira fazer o salto de qualidade da equipe, e Anzalone abandona.

Sob a poltrona de presidente da Associação Esportiva Roma, desde 17 de maio de 1979, se senta Dino Viola, um engenheiro de Aulla que ja teve vários cargos na direção da sociedade, homem de grandes projetos e de grandes ambições, o qual como primeira medida, chama novamente um velho conhecido da torcida romanista e da cidade, um nome pelo qual estava ligado o ultimo sintoma de sucesso da Roma: Nils Lidholm, o treinador que havia recentemente sido campeão com o Milan, conquistando o décimo titulo italiano da sociedade rossonera, o da estrela. “Era para eu ter ficado em Milão”, relembra o “barão”, “mas em Roma me ofereciam três anos de contrato, um tempo de trabalho médio-longo que para mim era mais estimulante, e assim aceitei. Como condição, porém, aquela de ter os jovens que conheci na minha precedente experiência romana; em particular, não estava previsto que a sociedade romana resgatasse Bruno Conti do Genoa, mas eu pedi que o trouxesse de volta”.

Assim volta para Roma o “fuleiro” de Nettuno, e juntamente com ele chega outro jovem de belíssimas esperanças proveniente do Parma recém saído da Série C para a B, pago por Viola mais de um bilhão de liras: Carlo Ancelotti, meio campista que fará sua estréia na Série A com a camisa romanista na primeira rodada do campeonato 1979/80, no jogo com o Milan empatado em 0 a 0. Outras aquisições da Roma marcada pela era Viola-Lidholm são os experientes Romeo Benatti e o stopper Maurizio Turone, juntamente com o lateral Amenta vindo da Fiorentina. Liedholm dispõe a sua defesa em “zona” para ser mais claro homem a homem, e depois de algumas partidas muda também o goleiro: fora o bigodudo Paolo Conti - que chegou a ser banco da seleção, vice de Zoff - e dentro Franco Tancredi, classe 1955, número 12 por vários anos amigo de Agostino Di Bartolomei.

“Já havia conhecido Agostino em 1972”, lembra Tancredi, “quando estávamos disputando um campeonato europeu com a seleção de juniores. Eu jogava na formação da minha cidade, o Giulianova, enquanto ele já vestia a camisa do time principal da Roma. Desde então me deu a sensação de um rapaz maduro, vou seja mais experiente do que a própria idade. Quando cheguei em Roma ele se tornou o ponto de força da equipe, e me ajudou muitíssimo a inserir-me seja entre os companheiros como na cidade, uma metrópole conhecida pelas suas incógnitas para aqueles que vieram da província como eu. Me ajudou a encontrar casa, conhecer pessoas, freqüentar ambientes corretos. Não sei se este modo de se relacionar entre os rapazes existe ainda no futebol moderno, onde se passa sobre tudo e todos, mas no nosso tempo era assim”. Tancredi é chamado para defender o gol romanista em Udine, no mês de outubro de 1979, no mesmo dia no qual se revê em campo novamente Francesco Rocca: Udinese 0-0 Roma. No domingo seguinte, conhecido como derby da vergonha; os laziales ofendem o lateral que tenta reconectar uma carreira desperdiçada, e a resposta da curva romanista é um tiro de foguete que termina no lado biancoazzurro, atingindo e matando Vincenzo Paparelli, “culpado” de ir ao estádio para viver uma rodada de divertimento de esporte. A partida termina 1 a 1, mas o placar é a ultima coisa que importa: foi no dia 28 de outubro de 1979.

Na rodada seguinte o campeonato da Roma procede entre altos e baixos, o turno de ida se encerra com 16 pontos, quarto na classificação juntamente com o Torino. A primeira rodada do returno é um bis do de ida, em outro empate sem gols diante do Milan, desta vez no San Siro no dia 13 de janeiro de 1980. Mas é um domingo especial para dois amigos, Franco Tancredi e Agostino Di Bartolomei.

O primeiro quase em desjejum com a Série A, joga como titular contra sua ex-equipe e se revela o melhor dos vinte e dois em campo, ganhando nota 8 na apuração do jornal “Gazzetta dello Sport” com muitas defesas que salvam o resultado. O segundo volta ao estádio que debutou pela primeira vez, sete anos antes, mas desta vez com a braçadeira de capitão, herdada de Rocca - neste jogo ausente - que havia recebido de Santarini. É uma grande satisfação, que enche de orgulho Agostino, mesmo se em campo não tenha sido sua melhor exibição.

A “Gazzetta” refere-se a “um Di Bartolomei não ao certo em grande evidencia”, que dá pouco ao meio campo giallorosso composto inclusive com Conti, Benetti, Ancelotti e Giovanelli, atrás de Pruzzo único atacante. Agostino nas notas recebe um medíocre 6, mas no final da partida terá - como quase sempre, do resto - os cumprimentos de Liedholm, juntamente a aqueles por outros companheiros: “Me agradaram Turone, Spinosi, Tancredi, Di Bartolomei, De Nadai e Benatti”.

A “primeira” como capitão neta temporada também será a única. O campeonato para a Roma se conclui com 32 pontos e uma sétima colocação que faz falir por pouco o objetivo do retorno a Europa através da Copa Uefa; aquele de Agostino com a camisa número oito carrega um balanço de vinte e três presenças e cinco gols. Mas uma semana depois do encerramento do torneio, aos romanistas se apresenta uma outra ocasião para conquistar alguma coisa e tentar chegar entretanto a uma competição européia: a final da Copa Itália disputada no Olímpico, contra o Torino de Claudio Sala, Paolino Pulici e Ciccio Graziani. Cento e vinte minutos - os noventa regulamentares mais dois tempos suplementares - não bastam as duas equipes para desbloquear o resultado, que permanece empatado sem gols mesmo se no interim existiram duas bolas na trave provenientes de Ancelotti e Di Bartolomei. A decisão será por penaltis.

Para a Roma o primeiro a bater é Giovannelli, que erra, enquanto Mandorlini ensaca: 0 a 1. Depois vai Conti que converte juntamente com o granada Mariani: 1 a 2. Para a Roma cobra De Nadai que desperdiça assim como o granada Greco: sempre 1 a 2. O quarto pênalti romanista fica por conta de Di Bartolomei, considerado um especialista, que cobra a sua maneira, forte e centra, mas o goleiro Terraneo defende; para o Torino Graziani que manda para fora: ainda 1 a 2. O último pênalti para a Roma cobra Santarini que marca, para o granada Pecci ver sua cobrança parar nas mãos de Tancredi: 2 a 2.

Com os resultados empatados mais uma vez, parte-se para os decididos alternadamente, quem errar perde. Para a Roma cobra Ancelotti, gol. O Torino confia em Zaccarelli, que tenta rasteiro na esquerda de Tancredi, mas o goleiro giallorosso tem uma intuição e defende. Termina 3 a 2 para os romanistas, e a Roma conquista a Copa Itália, primeiro título da era Viola-Lidholm, terceira na história da sociedade.

Um ano depois, no dia 17 de junho de 1981, Roma e Torino estão mais uma vez frente a frente para uma disputa final de Copa Itália. O campeonato havia apenas terminado vendo a Roma lutar com a Juventus pelo titulo italiano até o fim, com apenas 2 pontos de diferença do topo (a revelia), justo aqueles negados pela anulação do gol de Turone durante o jogo contra a Juventus em Turim.

Agora os romanistas mais uma vez distribuídos neste estádio, o regulamento da Copa muda, com duas disputas finais em jogo nas respectivas cidades sedes de cada equipe. No Olímpico o jogo termina empatado em 1 a 1, gol de Ancelotti (mais uma vez ele) e contra de Santarini. A final decisiva fica por conta do arbitro Micheletti, o mesmo daquele famoso jogo contra a Inter de 1972 terminado com invasão de campo. A Roma domina por grande parte do primeiro tempo, mas aos 37’ o Torino abre o placar com um gol do jovem lateral Cuttone. O empate vem aos quinze minutos do segundo tempo, com um pênalti assinalado por Michelotti depois de uma falta de Zaccarelli sobre Scarnecchia, muito contestada pelos granadas. Cobra Di Bartolomei e converte. O resultado de 1 a 1 não muda até o final dos suplementares.

Os penaltis terminam 4 a 2 para a Roma, que assim conquista sua quarta Copa Italia (segunda consecutiva). Para o Torino convertem Sclosa e Bertoneri, errando Pecci e Graziani; para a Roma, somente Di Bartolomei perde, enquanto Ancelotti, Conti, Santarini e Falcão marcam. Sim, Falcão. Paulo Roberto Falcão, o brasileiro contratado junto ao Internacional de Porto Alegre, quando as fronteiras são recém reabertas para o futebol italiano, meio campista de vinte e seis anos que com os seus toques e lances faz sonhar os torcedores romanistas desde as primeiras aparições. O povo giallorosso esperava Zico, mas Viola presenteou este campeão, menos famoso, mas do mesmo jeito determinante (será?). O qual aprende logo a se submeter, em alguma necessidade, ao novo capitão da equipe, Agostino Di Bartolomei. “Eu de Roma não sabia nada”, diz o brasileiro, “e pedia sempre a ele. Quando precisava comprar roupas, por exemplo. Onde comprar bem? e ele me respondia onde comprar bem e gastar pouco”. Agostino se tornou capitão por escolha de Liedholm, mas quando no time principal estava Santarini era ela a ceder a braçadeira. “Não poderia ser menos, era natural”, afirmaria o treinador sua decisão. A alternativa seria Bruno Conti, mas Agostino tinha um numero de presenças maior com a camisa romanista. De resto já no time Primavera o “barão” admirava os dotes daquele jovem capitão, e depois confirmou com autoridade suas qualidades técnicas e carismáticas de um dos jogadores que mais esteve ligado a ele.

“Muitas vezes com Agostino havia a necessidade de conversar, eu pensava algo e ele pescava ao voo”, lembra Liedholm. “Futebolisticamente, me agravada seu chute formidável, a grande capacidade de chutar. Fazia lances longos de trinta, quarenta metros, com incrível preciso. Ter um rapaz com lançamentos assim precisos, além de forte, era um privilegio. Ele sabia também driblar, havia a cabe sempre alta e em condições de escolher a melhor solução; mas o drible fazia apenas quando necessário para se desvencilhar de algum adversaria, não simplesmente para dar beleza a jogada. Ele tinha a ideia do futebol praticado pelos outros, para o bem da equipe; se não podia concluir sozinho viabilizava um companheiro desmarcado. Era muito inteligente, e em campo cobriu varias posições. Eu o escalava como meia atacante, volante e libero. Havia o dom do comando: todos em campo pensavam que quem conduzia o time era Falcão, mas não é verdade. Era Agostino Di Bartolomei. Falcão também tinha o dom do comando, mas sem falar; Agostino ao contrário em campo falava muito, veloz e forte, conseguindo exprimir aquilo que queríamos taticamente, e deste modo compreendia de retomar partidas que estavam caminhando para um fim ruim”.

O jogo por “zona” da Roma passa inevitavelmente pelos pés de Falcão e Di Bartolomei, levando a Roma conquistar o título de “campeã de inverno”, até o vice final. E se o arbitro Bergamo não tivesse anulado o gol de Turone contr a Juve… Era quase meia hora do segundo tempo quando Conti havia cruzado da direita, antecipação de cabeça de Pruzzo, e depois conclusão de Turone para o gol. Mas o arbitro foi parado em sua corrida para o meio de campo pelo bandeirinha, que ficara imóvel com a sinalização apontada por um impedimento que todas as imagens televisivas revelaram inexistente. No vestiário o capitão Di Bartolomei havia comentado: “honestamente não me sinto em juízo para exprimir o que penso. Claro que nós, com um mínimo de combatividade a mais, poderíamos ter feito um resultado melhor”.

O compromisso com as vitórias, porém, parece apenas adiado. A Roma cresce, no jogo, na experiência, no respeito que incute aos adversários. Bruno Conti é convocado a seleção, Agostino não e por isto fica desiludido. Aos amigos de sempre, aquele com os quais se encontra para jantar “porque os verdadeiros amigos se reconhecem na mesa”, confidencia toda a sua amargura quando o técnico Bearzot prefere o lesionado Antognoni da Fiorentina sem sequer pensar na possibilidade de convocar ele.

Mas Agostino está orgulhoso com a faixa de capitão conquistada na sua Roma, e pensa em honrar aquela posição da melhor maneira possível. Em campo, quando se mostra aos companheiros, aos adversários, aos árbitros ou torcedores; e fora, no vestiário e no resto da vida que ocorre além dos portões dos estádios.

“Mesmo quando se irritava com os árbitros”, relembra Bruno Conti, “Agostino nunca perdia a cabeça, diferentemente de mim que era mais instintivo. Quando se direcionava aos diretores de jogo, para protestar, o fazia de maneira correta, sempre com as mãos para traz, com muita tranquilidade e serenidade. O mesmo ocorria com os adversários, mesmo nos momentos mais delicados da partida. E com os companheiros: os seus conselhos poderiam ser bruscos e recitados, quem sabe, mas não lembro de brigas ou situações do tipo”.

Franco Tancredi cita uma outra característica do capitão no retângulo verde: “no final de cada partida, seja ela qual fosse diante de qualquer resultado para a Roma, chamava todos para se posicionar no meio campo e cumprimentar o publico. Isto era o sinal de uma maturidade e respeito pelas pessoas que pagavam o ingresso para sustentar o time. Hoje me parece que ninguém esteja preocupado com estes aspectos”.

Ainda Bruno Conti: “Como capitão, seja no time Primavera que no principal, Agostino tem sempre enfrentado e resolvido todos os problemas que entendiam, tendo em conta todo o desenrolar do processo. Por exemplo quando se discutia com a sociedade com relação aos prêmios das partidas (baixo), ou quando existiam os presentes ou simplesmente quando era preciso organizar encontros com os torcedores ou com alguém que não estava bem: pensava em tudo ele”.

Franco Tancredi: “Era um constante ponto de referencia para nós e dentro do vestiário, quando nos reuníamos para enfrentar alguma dificuldade, estava entre os primeiros a tomar a palavra e encontrar soluções. Era ele a organizar as coletas para comprar os presentes ao presidente, para as mulheres ou aos dirigentes, e nos fazia sempre ter grande comportamento, porque era brilhante e havia muito bom gosto. Quem sabe provocando alguns murmúrios da nossa parte, visto que partia para itens muito caros, mas no final ficávamos gratificados e contentes também. Constantemente o presente mais bonito era reservado a Senhora Flora Viola e ao próprio presidente Dino, e sobre isto brincávamos sempre com ele”.

Durante os retiros e jogos fora, a mascara de capitão sério e comportado caia para revelar o vulto sorridente e brincalhão de um rapaz que fazia brincadeiras e ria de outras, sempre pronto a manifestar sua amizade de maneira mais presente, com um pouco de ternura e um tapa.

“E muitos o pintavam como um urso”, afirmou o ex-zagueiro Ubaldo Righetti, “e realmente por certas vezes era. Mas quando entrava em sintonia com alguém se abria e demonstrava toda sua simpatia, as vezes dando de vez em quando croques ou socos por trás das costas que poderiam efetivamente fazer mal; muitos não o entendiam, mas eram manifestações de afeto e acolhimento”.

A atmosfera entre os jogadores, durante os almoços ou os jogos fora, assemelhavam a aquelas de um grupos de alunos durante os turnos escolares, a despeito da habitual atmosfera esquiva, Di Bartolomei não se coloca atrás quando é preciso se divertir e descontrair o ambiente. “Brincadeiras”, relembra Conti, “existiram muitas. Lançavam-se os gavetões, guerreava-se com miolos de pães sobre a mesa, com a ponta dos palitos de dentes no meio. Ou ainda no ônibus, quando alguém dormia as vezes no verão com os pés descalços, colocavam um pedaço de papel entre os dedos e ascendiam”. Di Bartolomei fazia uma outra brincadeira, um pouco mais inquietante, “ao ponto que alguém não gostasse”. Revela ainda Conti: “Ele era amante das pistolas, havia porte de arma e uma carregava sempre consigo, na bolsa. O motivo nunca fiquei sabendo. Fato é que as vezes, no vestiário ou além, a tirava para fora e a apontava contra; naturalmente estava descarregada, mas tinha quem se enfurecia”.

Talvez o clima daqueles anos - com sequestro de pessoas, o terrorismo, uma falta de segurança geral que respirava sobretudo nos ambientes ricos e frequentados - convenceu Agostino a adotar uma daquelas para defesa pessoal que não era uma raridade entre os jogadores dos anos setenta. Carlo Petrini, centro avante que militou a Roma durante o ano no qual Di Bartolomei havia emigrado para Vicenza, escreveu um livro que muitos jogadores romanistas “andavam armados. Alguns diziam que haviam porte de arma por medo das Brigadas vermelhas e de grupos políticos extremistas, mas era tudo conversa fiada: souberam que muitos jogadores da Lazio andavam armados, então nós romanistas não queríamos ficar por baixo… Nos quartos circulava a onda de ver as armas sobre as cômodas como se fossem decorações”.

Pertini lembra também de um disparo contra um pneu de trator que, trabalhando a noite, incomodava o sono dos atletas retirados em Brunico, e de um jogador laziale sobre a cama que, no final de uma briga com um companheiro pedindo para apagar a luz, pegou a arma e disparou contra a lâmpada. Bizarrices e delírios de onipotência que porém ficavam muito distantes do estilo de um jovem como Agostino Di Bartolomei. As armas, para ele, pareciam de verdade para defesa pessoal, sua e do bem estar econômico compreendido, dos interesses que passou a cultivar. os relógios antigos, por exemplo. Os quadros famosos, uma paixão que cresce com os anos, o leva a colecionadoras de grande valor e conhecer de perto, artistas como Renato Guttuso, Mario Schifano. “Durante os jogos no exterior era possível perceber que ele e Lidholm saiam para ver as mostras, me lembro de um Van Gogh na Holanda”, releva Tancredi. “Agostino havia certamente uma cultura superior a aquela de quase todos nós e acima da média dos jogadores italianos, que emergia sobretudo nos momentos de agregação fora do trabalho, quando nos víamos no jantar com as famílias, em casa ou nos restaurantes”.

Acrescenta Conti: “Nos encontrávamos sempre inclusive depois dos treinos, a noite ou nos dias de folga. Inclusive com Marisa possuía um ótimo relacionamento”. Marisa é aeromoça da Alitalia que Agostino conheceu um tempo atras em uma festa, com uma apresentação meio brusca, mas que ficou impressa para ambos. Se fora revisto, casualmente, meses depois, e na segunda vez o a relação se ascendeu. Agostino se apaixonou pela mulher bela e fascinante sete anos mais velha que ele, com um casamento já nas costas e um filho para criar. Decidem viver juntos, uma escolha que na casa dele - justo pela diferença de idade - é vista com uma certa preocupação.

“Pense bem”, aconselha o pai Franco, “mas está certo disso…”. Sim, Agostino e Marisa estão conscientes, e em junho de 1982 nasce Gian Luca, o filho que Agostino queria e que agora é outra grande riqueza da sua vida plena de satisfações. A Roma da temporada 1981/82 continua voando, do duelo com a Juventus se renova e mais uma vez termina com a vantagem bianconera que reconquistam o titulo italiano, enquanto a Roma chega em terceira, logo atras da Fiorentina treinada por De Sisti. Prumo é o artilheiro do campeonato, pelo segundo ano consecutivo.

Di Bartolomei é obrigado a saltar algumas partidas devido a lesões, joga vinte e duas e muitas vezes sua experiência em campo é determinante muito além do jogo e dos resultados. Por dois domingos sucessivos, em Florença e no Olímpico na partida contra a Juve, o capitão vai ao encontro da Curva dos ultras romanistas na tentativa de acalmar os protestos contra os árbitros, enquanto no campo é lançado de tudo. Os torcedores estão a escuta-lo e se contem, porque “Ago” - ou “Diba”, como era chamado - entrou definidamente no coração deles. Para a posição que recobre, pelo romanismo que não esconde e até mesmo faz questão de se orgulhar, pelo empenho que mostra em campo e que transmite aos companheiros de equipe.

Por aqueles chutes muito fortes que levantam o publico romanista e incutem o temor aos adversários, que se tornaram famosos ao ponto de serem citados em um livro engraçado sobre o mundo do futebol, “Sorrisi e Palloni” (sorrisos e bolões) - História semi séria de vinte equipes e de cerca de duzentos jogadores -, na qual no que diz respeito a Di Bartolomei se lê:

“O Torquemada (inquisidor espanhol) do futebol. Suas cobranças são condenações suplicadas pelos goleiros. Tens um chute que não perdoa; uma verdadeira anátema! Famoso o ditado: é mais fácil uma bola passar pelos pés de Agostino que frade Eligio entrar no reino dos céus”

Toda cobrança do limite ou de fora da área é confiada ao capitão que vem acompanhada do coro dos torcedores: “Ooooh, Agostino… Ago, Ago, Ago Agostino, gol!”. A curva Sul, para ele, cunhou inclusive um outro canto: “O’Rey, O’Rey, Di Bartolomei!”. E depois de cada gol, Agostino corre ao encontro deles, os braços tesos para o céu, o gritou que se mistura ao sorriso antes de ser submerso ao abraço dos companheiros.

No campeonato, que apenas se concluíra marcara três gols, nenhum da marca do pênalti, que agora quer cobrar Pruzzo para incrementar sua corrida a artilharia. Contra a Fiorentina, Catanzaro e Udinese na ultima do campeonato no dia 16 de maio de 1982: cobrança de falta do limite, desta vez não potente, mas precisa, com a bola que passa pela barreira e termina no angulo oposto daquele goleiro, a dois minutos do final do jogo. É o ultimo ato da temporada giallãrossa, a Roma e seu capitão saudam e marcam o compromisso para aquela sucessiva. O compromisso com a história e com a glória.

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A U T O R
  • Giovanni Bianconi


    Jornalista do jornal "Stampa", nasceu em Roma em 1960: escreveu as obras; Baldini & Castoldi; A mano armata, vita violenta di Giusva Fioravanti;Ragazzi di malavita, fatti e misfatti della banda della Magliana; e, com Gaetano Savatteri L'attentatuni,storia di sbirri e di mafiosi.


  • Andrea Salerno


    Jornalista e diretor de tv, nascido em Roma em 1965. Chefe redator do mensal "Reset", publicou Il rapporto di Los Angeles, la violenza in tv; la biblioteca del giovane democratico (Theoria); per un pugno di libri (Nuova Eri). É autor dos programas televisivos: "per un pugno di libri", "saranno maturi" e "La Mostra della Laguna".

    @SalernoSal

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