Aleksandar Aranđelović

O SK Jedinstvo Beograd, equipe fundada em 1924 quando a Servia ainda pertencia ao Reino da Iugoslávia, foi sua primeira escola de futebol em 1932 aos doze anos de idade, ingressando nos juvenis do clube. Em 1938 integra a equipe principal e estréia como profissional na Liga de Belgrado, filiada a Associação Iugoslava de Futebol. Em 1944 passa a atuar pelo time militar do Prva Armija onde permanece por um ano. Na temporada seguinte assina com o blasonado Omladinski fudbalski klub Beograd, penta-campeão iugoslavo, sendo três dos títulos conquistados consecutivamente, mas devido ao pouco espaço no time titular decide se transferir no mesmo ano esportivo para o Student Beograd.

Em 1946 o Fudbalski klub Crvena zvezda, ou ainda popularmente conhecido em nossa língua como “Estrela Vermelha de Belgrado” decide apostar no jovem atacante, porém tem dificuldades de se firmar na equipe devida a concorrência acirrada na sua função de ofício, indo a campo seis vezes e marcando apenas um gol. O Milan então, a título de compor seu elenco acaba trazendo o jogador para Itália. Participa de 23 amistosos com os "rossoneri", mas suas aptidões mostradas até então não convencem o clube lombardo e logo em seguida é negociado como o Calcio Padova.

Com a equipe veneta marca três gols em cinco participações pela Série B de 1947/48, mas incompreensivelmente fica toda a temporada seguinte sem atuar, o que se pressupõe alguma lesão séria não reportada em seus históricos como jogador. A bem da realidade Aleksander fugia da guerra, suas hostilidades e devastações, pois em seu país havia estudado engenharia e possuía muita intimidade com números e cálculos. Algumas fontes citam que o eslavo era dono de um chute poderoso e que até tinha dom para o oficio sobre os gramados, mas a verdade é que já tinha rodado muitos clubes e provado muito pouco até então.

Derrepente não se sabe como e ao certo vem parar em campo de refugiados do bairro Cinecittà de Roma, vencendo inclusive um recurso emitido pela presidência do Padova para ser liberado na lista de transferencias e desta forma engajado no time do novo técnico Fulvio Bernardini em uma Roma tão precária quanto a situação do iugoslavo no verão de 1949. Obviamente aceitou salário menor até o momento em que estivesse em condições de mostrar seu valor (diziam que não aguentava jogar os noventa minutos), e também com um objetivo um pouco mais coerente para tal comportamento: a permanência na capital permitia continuar seus estudos de engenharia.

Que era um zé ninguém seu passado já descreve por si próprio, mesmo assim ainda tinha a seu favor uma convocação pela seleção do seu país. Porém para a temporada que veio, fornece boa contribuição a complicada causa romanista daqueles idos, graças também a técnica de primeiro plano e boa predisposição nas articulações (mesmo se faltava um pouco de gás no final). É, entre outros, autor de uma das maiores proezas do returno; a conversão do pênalti presenteado pelo árbitro Pera durante o desempate para a salvação do rebaixamento, efetuado praticamente parado com frieza, como jamais se viu naquela época em campos italianos.

O jornal da capital “Corriere dello Sport” publicou uma nota assim na época sobre Aranđelović:

”Era bastante eclético, capaz de jogar em todos os lados do quadrilátero e também como centro-avante”

Era um canhão apontado para o gol seus arremates, tanto que fazia gritar o tabaqueiro do estádio Nacional, ilustre figura da torcida, o Gasperino:

”Oggi Arcangelo je sfonna ‘a rete! Sigarette, caffè Borghetti”
(hoje Arcangelo arregaça as redes! Cigarrinhos, café Borgetti)

Mas com a Roma daqueles anos, a regra não é muito respeitada. Basta pensar nos “perebas” que chegavam aos montes e que encontravam engajamento em uma sociedade então desossada do ponto de vista financeiro. Arangelovich, pelo contrário, é um jogador interessante, um pouco estranho, mas capaz de mostrar em campo um bom rendimento. Além disso tinha uma firula nos pés que deixavam os adversários loucos. Pense bem: um batavo com ginga sul-americana, interessante não? Da parte dele cumpriu mostrando o serviço que talvez a diretoria da Roma não esperava ver e com isto, obviamente, faltava da parte giallorossa cumprir com sua palavra no que tange ao salário. Evidentemente isto não aconteceu e Aleksandar acabou indo para o Novara Calcio na temporada seguinte.

Com os piemonteses “Gaudenziani” tem espaço, mas com um rendimento não tão confortável para um time que deposita muita esperança em um estrangeiro como ele; nove gols em vinte e seis jogos não são suficientes para mantê-lo no elenco. Assim, em 1951 acaba atravessando a fronteira para ingressar no Racing Club de France Football, mas a idade começa a pesar e com Les Peingouins arrecada muito pouco: 8 presenças e um gol. Tenta sua ultima cartada vestindo a camisa do Club Atlético de Madrid, no entanto a situação se agrava com os “Colchoneros” tendo apenas uma participação, embora na mesma tenha feito seu único gol na Liga espanhola, sua ultima partida como jogador profissional de que se tem noticia na temporada 1952/53.

Aventureiro, partiu então para o Canadá e em seguida para a Australia, onde lá um emprego de caminhoneiro o esperava. Ainda sim na Oceania teve um parêntese como treinador da seleção australiana em 1963. Velho, querido, misterioso “Arcangelo”! O cobrador oficial de penalidades daquela única temporada vestindo a camisa giallorossa, com quatro tentos convertidos na marca da grande área em uma Roma que brigava por igual com as grandes, mas que entregava o ouro para as menos quotadas (!). O homem do pé couraçado e que também era conhecido pela nação romanista como “Aran”.

Aleksandar Aranđelović, voltou para sua Belgrado depois de ter percorrido o mundo. Viveu até os setenta e oito anos de idade e foi sepultado no dia oito de setembro de 1999. Não conquistou muito no mundo do futebol, apenas uma Serie B com o Padova, mas deixou saudades matemáticas.

@zamacwb

20   presenças
11   gols
 

ARANGELOVICH

B I O S
  • Aleksandar Aranđelović


    Nascimento: 18/12/1920
    Cidade : Crna Trava
    Função: Atacante

    Estréia : 09/10/1949
    Roma 3-1 Bologna

    Temporada Pres Gols
    1949/50 20 11
    Total 20 11

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