Renato Sacerdoti

Conhecido como o Banqueiro do Testaccio, tido pelo próprio Fulvio Bernardini, declarado como o melhor presidente que a Roma já teve, e olha que Fufo com Sacerdoti já brigou feio. Assumiu a Roma em março de 1928, depois de Italo Foschi ter que assumir uma prefeitura fora da capital as pressas. Com 13 anos a frente do clube (entre 1928-1935 e depois entre 1952-1958) foi um dos que mais ocupou a cadeira por tanto tempo depois de Franco Sensi.

Na sua primeira presidência (do dia 29 de março de 1928 até 3 de junho de 1935) colecionou 114 vitórias, 53 empates e 63 derrotas. Já na segunda (do dia 18 de novembro de 1952 até 18 de março de 1958) 62 vitórias, 68 empates e 56 derrotas. No total Sacerdoti fez sua Roma vencer 176 vezes, empatar 121 e perder 119 e estamos falando apenas de Série A. A primeira vez teve que abandonar a direção por ter gasto dinheiro ilegalmente para trazer para Itália Guaita, Scopelli e Stagnaro e a segunda porque já estava cansado demais. Amou Roma e apenas a Roma, até entender que chegava a hora de dizer basta.

Renato começa a ser conhecido no mundo esportivo já no nascimento da Roma. De fato ele tem um papel fundamental para unir o futebol da capital entre as sociedades Alba, Fortitudo e Lazio. A difícil negociação para a fusão começa a ter uma luz através da sua intervenção que se revelou decisiva já que dependia acima de tudo de questões financeiras: ele realmente garantiu as verbas necessárias para cobrir os débitos da Fortitudo, obstáculo que parecia irreparável nas negociações até então tentadas com a Lazio; Sacerdoti, na época dirigente do Roman, garante inclusive as somas necessárias para formar o novo clube. Porém no final a Lazio fez imposições difíceis de se aceitar: Ao invés de se chamar Roma, a nova sociedade continuaria se chamando Lazio e a maioria das decisões esportivas ficaria a cargo da celeste.

No dia 28 de março de 1928, Renato Sacerdoti, a quase um ano da fundação, toma posse e assume a presidência da AS Roma. Os resultados auferidos já na sua primeira gestão foram empolgantes: o terceiro lugar na Divisão Nacional, resultado que, se comparado aos obtidos pelos clubes do sul nos anos precedentes, foi certamente um sucesso para o neo-presidente.

Foi sob sua presidência que o Campo Testaccio fora construído, histórico complexo que a equipe giallorossa utilizaria nos seus compromissos em casa durante os anos trinta. Diferentemente daquilo que se poderia esperar, os gastos tidos na construção causaram um pouco de revolta pela diretoria e suas apaixonadas cartas de defesa se encontram até hoje presentes nos arquivos da sociedade de Trigoria.

Estes desentendimentos não diminuiram a relação entre a torcida e o presidente: Renato Sacerdoti desde os primeiros anos trinta construiu uma equipe sólida, formando as bases para os seus sucessores tanto que o afeto pelo presidente por parte dos torcedores era possível sentir até mesmo no hino daquela época:

"…Fin che Sacerdoti ce stà a accanto/porteremo sempre er vanto/Roma nostra brillerà."

A Roma dos anos trinta ficará pra sempre na memória da torcida romanista como uma das equipes mais fortes que o clube teve por pelo menos meio século, até os anos oitenta com Dino Viola quando o clube voltou a ser protagonista.

Sacerdoti operou no mercado de futebol em primeira pessoa, com aquisições e cessões que fizeram notícia: entre as primeiras operações foi aquela que permitiu trazer Fulvio Bernardini para a Roma, bem como relevantes as contratações dos três oriundos Alessandro Scopelli, Andrea Staganaro e Enrico Guaita, este último capaz de 29 gols em um torneio de 16 equipes como aquele de 1934/35. No que tange as seções sua crítica maior por parte da torcida foi a venda de Rodolfo Volk e do capitão Attilio Ferraris: este último, capitão da equipe e jogador da seleção italiana, se bandeou escandalosamente para a Lazio.

No verão de 1935 ocorre um dos fatos marcantes na sua história romanista: a fuga de três oriundos contratados recentemente dois anos antes. O fato ocorre justo quando Sacerdoti consegue trazer dois laterais da seleção (atual campeã do mundo): Allemandi e Monzeglio, redimensionando as ambições da equipe dadas como favoritas ao título nacional. Não obstante tais ocorrências, a Roma consegue manter os prognósticos chegando a apenas um ponto do Bologna, mas para Sacerdoti foi o início de um período duríssimo sob ponto de vista humano: acusado de exportação ilícita de valores na compra de três jogadores, é afastado da presidência e condenado a cárcere privado.

O motivo de tais acusações pode ser relativo as sua origens judaícas que o rendiam um personagem discreto ao regime fascista que poucos anos havia promulgado as Leis Raciais. Durante a guerra Sacerdoti conseguiu fugir da deportação nazista travestindo-se de padre e refugiando-se em um convento.

Fim da segunda guerra mundial Renato Sacerdoti retorna a direção da Roma em 1949 como vice-presidente.

Nesta época foi a vez de Fulvio Bernardini tomar parte de outra polêmica juntamente com Tommaso Maestrelli: foram eles a pagar pelos resultados decepcionantes da equipe no pós guerra. Esta escolha se tornou sinequanon pela sociedade: os dois, de fato, haviam feito grande sucesso com a Fiorentina e Lazio, dando a eles os primeiros títulos nacionais de sua história, enquanto a Roma acabaria na Série B no final da temporada de 1951 depois de ter passada ilesa pelo escândalo de apostas conhecido como caso "Pera" pelo nome do árbitro envolvido em 1950 que teria favorecido a Roma em um jogo direto para escapar do rebaixamento no final do campeonato. Favorecimento, este, para a sorte de toda a nação romanista, que não ocorreu e a Roma foi pra segunda divisão da mesma forma pela campanha que fez, mas cabeças rolaram, evidentemente.

Com a Roma na segunda divisão, Renato Sacerdoti é chamado para assumir a presidência novamente no dia 18 de novembro de 1952 . O "Banqueiro do Testaccio" havia um plano para recolocar a sociedade nos níveis mais alto do futebol, projeto que recoloca imediatamente o time na Serie A, obtido em apenas uma temporada na qual havia apenas uma vaga para retornar a primeira divisão.

Os sucessivos anos de presidência restituiram a sociedade a solidez que precisava, que, a exceção de um décimo quarto lugar, permanece estavelmente entre as primeiras colocadas da tabela do campeonato obtendo um brilhante terceiro lugar em 1955 (depois vice, após a suspensão da Udinese) que vale a Roma inclusive o retorno as competições européias. O ressurgimento da Roma depois de uma década perdida foi fruto também das aquisições de Alcides Ghiggia e István Nyers, enquanto as relações com os treinadores não foram brilhantes como testemunham as numerosas mudanças que ocorriam naquela época.

Renato Sacerdoti contribuiu com a fundação da primeira torcida organizada: O círculo Attilio Ferraris. Paralelamente a formação de tal organização foi também colocado em prática um projeto para leva-lo ao Senado, como representante não de partidos políticos mas de uma torcida. Deixada a presidência em 18 de março de 1958, Sacerdoti permaneceu na direção até 1967. Morreu no dia 13 de outubro de 1971 aos 79 anos.

Algumas frases que tentam sintetizar o que foi Renato Sacerdoti, como homem, como esportista e como romanista:

Condessa Orta (sua mulher):

"Como homem e como dirigente havia honestidade e sinceridade absoluta e mantinha sempre sua palavra"

Sandro Ciotti:

"Ótimo conhecedor do ambiente e dominador das tumultuadas assembléias romanistas, que muitas vezes o fazia com um anúncio surpreendente de uma contratação de peso"

Amadei:

"Fiquei impressionado pela sua personalidade"

Evangelisti:

"As suas guinadas de dirigente permanecerão pra sempre históricas"

Cerrei:

"Desaparece com ele o homem que criou a Roma"

@zamacwb

 

SACERDOTI

B I O S
  • Renato Sacerdoti


    Nascimento: 20/10/1891
    Cidade : Roma

    Função: Presidente

    1º Mandato: 29/03/28 - 03/06/35

    TEMPORADA POS JGS VIT EMP DER
    1929/30 34 15 6 13
    1930/31 34 22 7 5
    1931/32 34 16 8 10
    1932/33 34 14 11 9
    1933/34 34 16 10 8
    1934/35 30 14 7 9
    TOTAL 200 97 49 54


    2º Mandato:18/11/52 - 18/03/58

    TEMP POS JGS VIT EMP DER
    1951/52 38 22 9 7
    1952/53 34 13 10 11
    1953/54 34 12 12 10
    1954/55 34 13 15 6
    1955/56 34 11 13 10
    1956/57 14ª 34 10 11 13
    1957/58 34 12 12 10
    TOTAL 242 93 82 67

    Conquistas:

    1951/52: Campeã da Série B

    Balanço Final dos 2 mandatos:
    Vitórias: 190
    Empates: 131
    Derrotas: 121

    Total: 442 jogos

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