Attilio Ferraris IV

O Leão de Highbury. O loirinho de Borgo Piú começou a jogar no bairro da capital Prati,no campo do instituto "Pio X", nos arredores do Castel Sant'Angelo, com a Fortitudo do frade Porfilio (no qual mais tarde, se exibe inclusive Renato Rascel, seu amigo). Seu pai tocava uma oficina de concerto de bonecas que ficava pros lados da via Cola de Rienzo.

Era o homem símbolo da Roma "testaccina" e grande ídolo de uma torcida que nele vê encarnado o furor agonístico que permeia a equipe giallorossa quando joga entre os muros amigos. O grande vigor com qual usa enfrentar os adversários faz esquecer os bastidores que caracterizavam sua vida privada, em particular o fumo e a jogatina. Preferia as mulheres do que os treinos. Não obstante a uma vida de não própria de atleta, o romano aos domingos fazia sempre valer um vigor físico no limite do regulamento, pela forte natureza que Deus lhe deu.

Durante um jogo de 1931, contra o Casale, no intervalo da partida, incentivou seus companheiros com um "Datevi da fa, fiji de 'na mignota!" (vamos lá seus filhos da puta). Com Bernardini, forma uma formidável dupla de meio campo, no qual os dotes de um complementam o melhor do outro. "Poi ce sta Ferraris, er mediano, bravo nazionale e capitano..." (da canção de Testaccio).

Belo rapaz, de característica exuberante, foi também um distinto play boy (Claudio Amendola o interpretou nos anos noventa, em uma peça televisiva sobre a copa de 1934, escrito por Lino Cascioli), e para segurar um pouco o figura, o presidente Sacerdoti lhe abre um bar na via Cola di Rienzo, onde se vendia inclusive os ingressos para os jogos, bar que ele entre outros, ignorou. Hoje o estabelecimento se chama Cantiani.

Duas partidas em particular permanecem como perene símbolo da sua grande carreira: aquela contra a Juventus em 1931, vencida por sonoros 5 a 0, e aquela em Highbury com a Itália, na derrota por 3 a 2 contra os ingleses. Na primeira ocasião Ferraris IV aniquila o seu companheiro de seleção Mumo Orsi, fazendo valer seu vigor físico vindos de um jogador que não é um coração de leão e arrasta os companheiros a extraordinária vitória que, além de reabrir o campeonato, fornece inspiração a um famoso filme da época. No final do jogo, dirigentes e jogadores do time de Turim acusam Ferraris de ter ultrapassado o limite entre agonismo e jogo desleal, mas a polêmica logo desaparece, ficando claro que o modo de jogar do forte volante romanista é aquele e não pode por certo mudar de ponto em branco. E é com o mesmo modo de jogar e o mesmo furor que o Comissário Técnico da Seleção italiana, Vittorio Pozzo, se agarra como todas as forças, tanto que convoca Ferraris IV para a copa do mundo de 1934, não obstante aos visíveis sinais de cedimento colocados em voga pelo atleta nos meses que precendiam o torneio. Despertado na sua lucidez para uma vida de atleta, o grande Attilio fornece o seu aporte para a conquista da azzurra e demonstra que não estava acabado.

Com escassos resultados e com a torcida giallorossa revoltada, Attilio deixa o time para fazer o pior: passar para o time celeste que não se misturava com os demais. No primeiro derby que disputou contra a Roma, no dia 19 de novembro de 1934, após um inicial silêncio inesperado, os seus ex-fãns iniciam um coro dizendo: "Vendido!". A curva oposta respondia: "Comprado!".

Depois da amarga experiência na outra margem do rio Tibre, se transfere para o Bari para depois se redmir e voltar a vestir a camisa de seu grande amor em 1938/39. Apenas uma temporada e vai para Catania, disputar a Série B.

Jogou até quase os 40 anos e interrompe a carreira (quando vestia a camisa do Elettronica) por uma suspensão perpétua depois de ter agredido um árbitro.

Morreu prematuramente, no dia 8 de maio de 1947 de infarto, durante uma partida de "velhas glórias". O funeral ocorreu na paróquia Traspontina, na via della Conciliazione. Fulvio Bernardini lhe fez uma honrosa dedicatória.

Uma curiosidade: Attilio estreou na seleção italiana vestindo a camisa da Fortitudo. Isto ocorreu em 1926 e a Roma não existia ainda. Foi fundada um ano depois com as fusões de Pro Roma, Alba, Roman e a própria Fortitudo. Antonio Ghirelli escreveu assim dele:

"Se o nosso futebol tivesse um Hemingway, não saberíamos recomendar-lhe protagonista mais fascinante..."

Disputou 28 jogos com a camisa azzurra. A Pozzo, para poder participar da copa do mundo, promete parar de fumar (nunca deixou, e naquela época jogou até os quarenta, mais que o resto, a duas carteiras por dia). O "magnifico". Nos arredores do Foro Italico lhe foi dedicado um nome de rua.

"Deixe passar, o belo romaninho..." Seu, o famoso juramento que, antes de entrar em campo, empunha aos neo-romanistas. Com a bola entre as mãos deviam recitar junto com ele:

"Chi da' 'a lotta desiste fa' 'na fine mooorto triste, chi desiste da' 'a lotta è un gran fijo de 'na mignotta!"
(quem da luta desiste fácil acaba morrendo triste, quem desiste de uma luta é um grande filho da puta)

Imaginemos por um momento o elegante Falcão, o impenetrável Nakata ou o "Professor" Zsengeller (que falava latino) com aquela bola na mão...

do jornal "Il Tifone" um soneto dedicado a ele:

"E derrepente um torcedor feroz , daqueles sedentos que se parece com o matadouro: 'Attilio!... encurrále-o! Acabe com ele!"

Dois jogos pela Copa Itália e quatro pela Copa da Europa Central.

@zamacwb

2   gols
 

FERRARIS IV

B I O S
  • Capitão Attilio Ferraris IV


    Nascimento: 26/03/1904
    Cidade : Roma
    Altura: 170cm
    Peso: 70kg

    Função: Volante

    Estréia : 25/09/1927
    Roma 2-0 Livorno

    Temporadas Pres Gols
    1927/28 20 -
    1928/29 29 1
    1929/30 34 -
    1930/31 34 -
    1931/32 33 -
    1932/33 27 -
    1933/34 21 1
    1938/39 12 -
    Total 210 2

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