Fulvio Bernardini

Primeira grande contratação de peso da história da Roma. Nascido em dezembro de 1905, mas registrado no dia primeiro de janeiro de 1906, falar de suas virtudes bastaria a exclusão da seleção de Pozzo porque..."Muito bom"! E os outros, não é que eram uns bolas murchas de quinta categoria, se chamavam Giuseppe Meazza, Orsi, Calligaris.

Em grande verdade é que o comando do selecionado italiano não gostava muito dos jogadores da parte sul da bota, e Bernardini, "o Fuffo", para os romanistas (e também conhecido como Garibaldi), desta parte da Itália, foi o primeiro peito de aço, em uma época dominada (merecidamente) pelo norte do país.

Bernardini, "um dos mais refinados meias do mundo" (Antonio Ghirelli. E com o método era o volante a pilotar o jogo), vestiu a camisa azzurra, no entanto, vinte e seis vezes (conquistando inclusive medalha nas olimpíadas de 1928).

O trabalho no banco que lhe haviam oferecido, era apenas uma recordação (um bom lugar, já que ele era formado em ciências econômicas e comerciais na universidade Bocconi de Milão). Debutou com a camisa giallorossa logo de cara fazendo gol.

Oitavo e último filho de Augusto, funcionário dos correios, e de Clorinda Cecchini, dona de casa, o pequeno Fuffo cresceu nos juvenis do Esquilia, iniciando sua carreira por acaso na Lazio devido a um contratempo: apresentando-se junto ao campo da Fortitudo junto como Filippi para efetuar um teste, encontrou os portões fechados e então decidiu ir fazer a prova com os celetes.

Começa sua carreira como goleiro, um grande arqueiro, não obstante a altura e o físico raquítico de adolescente, mas depois de ter levado um chute na cabeça no curso de uma das tantas, quentes partidas romanas, em um jogo contra a Fortitudo, o convence a mudar de posição (inclusive como pedido da família).

Como atacante primeiro e meia depois, faz logo valer os direitos de uma classe imensa, que logo logo faz irradiar sua fama em toda Itália. Inclusive o setor técnico da azzurra, percebe rápido daquele talentoso romano que joga com a Lazio e em 1925 estréia contra a França (22/03/1925 Italia 7-0 França), primeiro jogador do meio da bota pro sul a conseguir o feito. Naturalmente, as grandes equipes do Norte se voltam para Bernardini, do qual procede de uma família pobre e não pode ficar indiferente a fama.

A Lazio busca logo unir o útil ao agradável e sela com o pai de Bernardini um contrato, quando este estava já a beira da morte, prometendo que o filho não abandonaria jamais a equipe na qual cresceu e disso a Lazio fazia questão de lembrar todas as vezes que a Inter pressionava a negociação. Logo logo a novela Bernardini chega ao capítulo final: o contraste de quem defende que o futebol deve se manter circunscrito a um âmbito amador e quem ao invés disso pensa que seja inútil lutar contra a modernidade representada pelo profissionalismo. No final é libertado da promessa, mas deve assinar as negociações nas mãos de Olindo Bitetti e este fato envenena sua relação com a Lazio por muitos anos. Acaba na Internazionale como centro-avante (cinquenta mil liras pelo passe e três mil por mês), antes da chegada de Meazza.

No verão de 1928, o Doutor (como era conhecido pela sabedoria que o inspirava a jogar), volta a Roma, mas para vestir a camisa giallorossa. Logo se transforma em símbolo da equipe e continua a jogar em alto nível, mesmo se depois de 26 partidas perde lugar para Monti na azzurra, que Pozzo acredita ser mais sólido do ponto de vista físico, mesmo se menos capacitado tecnicamente.

Como joga Bernardini? Sua característica é aquela de tornar simples inclusive as jogadas mais difíceis. Usa muito a planta do pé, com a qual consegue distribuir bola sobre bola aos companheiros melhor posicionados e escapa das jogadas previsíveis. Por se fixar sempre em uma zona do campo não se desgastando com os retornos defensivos, muitas vezes repõe o fôlego necessário para as jogadas ofensivas, fazendo com isso com que a defesa tenha também sua retomada de oxigênio necessária para fluir o jogo enquanto o time ataca.

Aquilo que mais pesa na sua maneira de agir, é a calma que prepara seu jogo, que alguns preferem definir como lentidão: o método que usa ao escolher a melhor situação, faz sim que as vezes mantenha mais tempo a bola, mas quando usa sugestivamente, pode-se ter certeza que será a solução mais idônea. E quando então disto vem a conclusão, para os goleiros adversários é dor e ranger de dentes certos, porque o chute de Bernardini é dotado de grande força e precisão, como pode-se notar pelos tantos gols que marcou em sua carreira.

Joga com a Roma até 1938/39, para depois se transferir para a Mater, onde começa extraordinariamente a carreira de técnico que o fará brilhar nos comandos de Fiorentina e Bologna. Não na sua amada Roma, infelizmente, enquanto a rusga com Sacerdoti o impede de concluir o trabalho iniciado em 1949: A Roma desta época já demonstrava sinais de náufrago aos pedaços, onde a cada temporada que passava, alguém pulava fora do barco na inútil tentativa de manter a proa. A três rodadas do campeonato acabou sendo demitido, assumindo no seu lugar, o também ex-jogador giallorosso Brunella. Curioso, porque quando Fulvio pendurou deixou a Roma, em 1938/39, Luigi chegou para no ano seguinte ser campeão pela primeira vez com a Roma. Triste coincidência, pior comparação, já que a Roma que Bernardini deixou para Brunella, na primeira vez, estava em condições muito melhores que aquela.

Jornalista e comandante técnico da seleção italiana, no período de renovação, depois da Copa do Mundo de 1974. O "doutor", que dava de si aos jogadores. Com as suas superstições... Um primor de classe, mesmo se uma vez amassou o carro de Mussoline e lhe caçaram a carteira.

Concluimos a história deste, que hoje é nome do centro de treinamentos da Trigória, e que carinhosamente os romanistas guardam o guardam na lembrança com uma brincadeira retirada do célebre "Tifone":

"Bernardini, ou "Fuffo", que no coração produz um tuf-fo"

E depois a revolta a Pozzo:

"O Pozzo que critério buffo (palhaço) em persistir a não incluir Fuffo"

Faleceu em Roma no dia treze de janeiro de 1984, meses depois de ver seu time do coração ser bicampeão italiano depois do primeiro título que ele mesmo ajudou a arquitetar.

@zamacwb

49   gols
 

BERNARDINI

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B I O S
  • Fulvio Bernardini


    Nascimento: 28/12/1905
    Cidade : Roma

    Função: Meia

    Estréia : 30/9/1928
    Roma 4-1 Legnano

    Temporadas Pres Gols
    1928/29 26 10
    1929/30 24 12
    1930/31 31 8
    1931/32 29 7
    1932/33 33 2
    1933/34 16 3
    1934/35 27 3
    1935/36 30 1
    1936/37 29 3
    1937/38 23 -
    1938/39 18 -
    Total 286 49

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