Amedeo Amadei

Simplesmente o maior atacante, considerando que Francesco Totti é um meia, da história romanista. Dotado de grande velocidade, conclusão seca e precisa, variava sempre seu método de conclusão, todas em um front avançado catalisando uma infinidade de bolas.

"Se dominasse a bola na metade do campo adversário, era gol"
Guido Masetti

Uma das maravilhas lendárias do futebol bandeira giallorossa. E não poderia ser diferente, graças também a este menino de ouro, os romanistas puderam finalmente gritar “campeões” e trazer pela primeira vez para a capital o título mais cobiçado do futebol italiano.

O padeiro de Frascati estreou com a camisa da Roma, com apenas quinze anos e dez meses de idade na primeira divisão italiana e nem mesmo Gianni Rivera fez melhor que o menino prodígio que efetuou seu teste no lendário Campo Testaccio, mesmo se escondido de seus pais e logo de cara foi aprovado.

"Escapei de Frascati de bicicleta para tentar a Roma. Para nós de Castelli, Roma, então, era ainda um sonho"

No ano seguinte é cedido por empréstimo ao Atalanta para ganhar peso e experiência no difícil campeonato da Série B. Retornando para a casa, entra direto para o elenco do time principal e se aproveita da lesão de Provvidente, atacante argentino que não se adaptou muito ao futebol italiano, e desta forma ganhou a posição de titular.

Já na temporada 1940/41 demonstra o melhor de suas habilidades e potencial colecionando a maravilha de dezoito gols: sua incrível velocidade e técnica embaraça os zagueiros adversários o que obriga o comando técnico a estabelecer uma identidade ao menino prodígio concedendo-lhe a camisa numero nove.

O campeonato da consagração é o de 1941/42, no qual Amadei repete o brio e confirma seu talento arrebentando na artilharia e conduzindo a equipe a conquista do tão sonhado título italiano. Na capital é uma festa só, e para os romanistas, a identificação com a camisa como peça fundamental na campanha, é marcante e confirma a saga que faz parte da história do romanos na Roma.

Em 1942/43, no entanto, a Federação Italiana de futebol resolveu entrar em cena e suspendeu o atacante definitivamente banindo-o de todas as competiçõe, depois de um jogador da Roma ter agredido o arbitro na semifinal da Copa Itália, pelo mesmo ter validado um gol irregular de Ossola e como Amadei era o capitão da equipe pagou pela falta de identificação do culpado.

Para sorte da Roma, e do próprio Amadei, a suspensão é revogada e o romanista pode voltar a marcar gols e ajudar a equipe. A Roma do imediato pós guerra, porém, não consegue repetir os mesmos feitos da temporada do título, e o técnico da seleção italiana, Vittorio Pozzo, prefere então convocar jogadores com menos qualidade, mas que entretanto, vestem camisa de times da região setentrional do país.

Diante disto, o jogador pede a sociedade que reforce a equipe ou que o ceda para que com o dinheiro possa readequar o time em condições mais competitivas, com a contratação de outros jogadores.Isto resolveria o problema do jogador, que queria vestir a camisa da seleção italiana e do clube que precisava sanar seu orgânico mas precisava de condições financeiras adequadas para isto.

No verão de 1948, sob muita contestação e revolta da torcida, a diretoria romanista decide colocar em prática o conselho do jogador. Na briga pelo seu passe tinha o Torino; que oferecia Ossola ou Gabetto, mais algum outro jogador e dinheiro, e a Ambrosiana (Inter); contra-ofertando Maestrelli e Tontodonati, mais parte em dinheiro. A Roma escolhe fechar com o time de Milão.

Para Amadei a escolha agrada, se apenas pensar que meses depois o Grande Torino desapareceria no trágico acidente aéreo de Superga. Porém para a Roma o negocio não foi tão bom, porque se Maestrelli se revela uma boa opção para substituir Amedeo, Tontodonati não consegue convencer a torcida romanista.

Depois de ter jogado duas temporadas na Inter e finalmente conseguido uma convocação na seleção italiana, Amadei vai concluir sua carreira em Nápoles, onde pouco a pouco se adequa a sua nova função, se tornando um meia atacante atuando pelas pontas.

Em seus contratos sempre existia uma cláusula obrigatória da de não jogar contra a Roma (pense no tamanho da sua paixão):

"Seria como esfaquear a minha mãe..."

Durante a temporada que viu a Roma ser rebaixada, o Padova brigando para não cair também, jogou contra os napolitanos, a uma rodada do fim do campeonato. O time vêneto sabendo do amor do fornaretto pela Roma, o afastam rapidamente da partida com uma entrada duríssima. O Napoli perde o jogo por 2 a 0 e nos vestiários um choro interminável.

"Eu sou de Frascati, mas me sinto como se tivesse nascido no Testaccio - somente quem viveu o Testaccio pode entender-me"

Após encerrar sua carreira de jogador em 1956, começou a se aventurar como treinador e o Napoli, onde tinha feito seis temporadas, lhe deu o espaço para os primeiros passos. Treinou o time partenopeu até 1961. Em 1963 se aventurou com o Lucchese pela Série B, mas não obteve muito sucesso com o time caindo para a Série B. Em 1966 tenta nova sorte diante do Frosinone onde la desenvolveu um bom trabalho promovendo o time que se encontrava na Série D para a C, até encerrar definitivamente suas atividades em 1967.

Também teve um capitulo a parte no futebol feminino nacional nos anos de 1957 e 58 recebendo o prêmio de Semeador de ouro. De 1972 a 1978 desempenhou algumas funções técnicas na federação italiana de futebol e se aposentou definitivamente das atividades do mundo da bola.

Disputou ainda quatorze partidas e marcou onze gols com a camisa giallorossa pela Copa Itália.

Em 2008 participou da festa dos oitenta anos do clube e ficou muito emocionado com as várias homenagens feitas a ele em diversas festividades durante o ano. Faleceu na sua cidade do coração, Roma, aos incríveis noventa e dois anos de idade no dia 24 de novembro de 2013.

@zamacwb

B I O S
  • Amedeo Amadei


    Nascimento: 26/07/1921
    Cidade : Roma (Frascati)

    Função: Centro Avante

    Estréia : 02/05/1936
    Roma 2-2 Fiorentina

    Temporada  Pres Gols
    1936/37 3 1
    1937/38 3 1
    1939/40 22 2
    1940/41 30 18
    1941/42 30 18
    1942/43 28 14
    1945/46 34 14
    1946/47 31 13
    1947/48 35 19
    Total 216 100


    info@portaleromanista.org

© 2004 PORTALE ROMANISTA BRASIL UMA FÉ QUE NUNCA TEM FIM